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segunda-feira, 30 de agosto de 2010

SOB O SPOTLIGHT : entrevista com Wilson Coêlho concedida ao diário virtual SEIS DIAS de Colatina

Na entrevista abaixo o dramaturgo capixaba fala a Seis Dias sobre questões voltadas para o movimento teatral no Estado e políticas públicas culturais.
Veja a entrevista no site do Diário Virtual de Colatina http://www.seisdias.com.br/ .

"Faltam políticas públicas para cultura capixaba em especial no interior", diz autor teatral Wilson Coêlho
José Lino França Galvão

Ocorreu em Salvador, na UFBA (Universidade Federal da Bahia), o evento Torre de Arrabal, entre os dias 10 e 22 de agosto, em comemoração aos 78 anos do grande dramaturgo espanhol, Fernando Arrabal.

Participaram do evento o também dramaturgo e diretor baiano Gil Vicente Tavares e o teatrólogo, diretor e estudioso de Arrabal, o capixaba Wilson Coelho. Juntamente com o homenageado, fizeram uma palestra conjunta sobre sua grande contribuição ao teatro em todo o mundo.

Wilson Coelho, 51 anos, é natural de Baixo Guandu, bacharel e licenciado em filosofia pela UFES, mestre em estudos literários também pela UFES, doutorando em literatura pela Universidade Federal Fluminense, escritor, dramaturgo, crítico e tradutor com 16 livros publicados, colaborador de diversas revistas e jornais, Presidente da FECATE – Federação Capixaba de Teatro e membro do Collège de Pataphysique de Paris.

De Salvador, o dramaturgo fala para os leitores do Seisdias sobre os movimentos culturais no mundo, no Espírito Santo e na Princesinha do Norte.

Entrevista com Wilson Coelho.
Seis Dias - O Sr está com um espetáculo em Cariacica no Centro Cultural “Frei Civitella di Trento” chamado “O cemitério de automóveis”, do dramaturgo Fernando Arrabal. Esse espetáculo permanecerá em cartaz ate o fim de setembro. Em seu texto explicativo, o Sr. diz que “não há como confundir autor e obra, um e outro são o mesmo”. Poderia explicar melhor essa assertiva.

Wilson – Afirmar que Arrabal e sua obra são o mesmo equivale a dizer que em seu processo criativo não se pode separar a forma do conteúdo. Vale ressaltar que praticamente toda a sua obra seja autobiográfica, ou seja, sua história de vida, desde o nascimento em Melilla (Marruecos español), o assassinato de seu pai pelo generalíssimo Franco, a guerra civil espanhola, a segunda guerra mundial, o encontro com os dadaístas, a passagem pelo surrealismo, pelo postismo, a criação do movimento pânico e, enfim, seu exílio em Paris. É claro que não se trata de reduzir tudo isso a uma autobiografia considerando que entre esta e a obra existe a arte que se dá através da linguagem.


Seis Dias - Quais elementos – cênicos, filosóficos e culturais – predominam no teatro de Fernando Arrabal?

Wilson – Difícil eleger uma predominância na obra de Arrabal, principalmente porque este se orienta a partir de uma desordem aparente. No sentido cênico podemos considerar o pânico como um elemento importante. Existem muitas fases distintas em sua obra. O pânico, por exemplo, é uma referência do deus Pan (deus grego da totalidade), onde se misturam o humor com o terror. E é uma dramaturgia que de certa maneira desconstrói a tragédia (embora mantenha o “tragus” do ritual) e a comédia (que não deve ser confundida com o humor) para dar lugar a outra coisa. E não se trata de um meio termo, mas de outro termo que muitos ainda estão debruçando nessa pesquisa. No que diz respeito à filosofia, tanto pela sua convivência com Sartre, Duchamp, Wittgenstein, Beckett, Cioran e tantos outros de sua geração, há uma tendência niilista e ao mesmo tempo existencialista. Do ponto de vista cultural, apesar de sua condição de “desterrado”, tendo em vista o seu nascimento na África, numa colônia pertencente à Espanha, e viver na França, Fernando Arrabal traz fortes elementos da cultura espanhola como, por exemplo, a utopia de Don Quixote, o anarquismo, a influência gitana e uma espécie de matriarcalismo, levando em conta o forte papel que a mulher ocupa em sua obra.

Seis Dias - Como tem sido a participação popular aí em Salvador no evento Torre de Arrabal, comemorativo aos 78 anos do dramaturgo espanhol? E a participação do meio artístico? Descreva um pouco o clima do evento.

Wilson – Na verdade, a participação dos soteropolitanos (como são chamados aqueles que nascem em Salvador) não foi de certa maneira “popular”, levando em conta que seu público mais específico era o movimento teatral e acadêmico, principalmente pela estréia da peça “Torre de Babel”, dirigida por Marcelle Pomponet, então formanda em Artes Cênicas pela Universidade Federal da Bahia. Depois, tendo em vista a realização da mostra de cinema pelo Instituto Cervantes, também se junta um público ligado ao espanhol e, obviamente, cineastas e alunos do curso de cinema da UFBA. Mas o clima foi bastante agradável, pois apesar desse público seleto, a participação foi afetiva e efetiva, inclusive, com o debate após a palestra que fizemos, Gil Vicente Tavares, eu e Fernando Arrabal. Teve uma boa repercussão na imprensa, tanto na escrita quanto na televisiva, com a apresentação de um documentário na TV da UFBA. Enfim, o meio artístico foi bem servido e também se serviu do evento, atendendo às expectativas de ambos os lados.

Seis Dias - Foram feitos dois documentários sobre Fernando Arrabal. Um deles foi o francês “A arte de ser Arrabal”, inédito no Brasil e na França. O outro foi feito pelo baiano Fernando Bélens, chamado “Fragmentos de Arrabal”. O Sr. poderia - como um homem de teatro, da comunicação através do texto artístico – fazer uma rápida panorâmica sobre o que aborda, essencialmente, o documentário de Fernando Beléns?

Wilson – Como divulgado na grande imprensa, o documentário, «A arte de ser Arrabal«, foi dirigido por Bernard Léonard e Pierre Alexis de Potestad, gravado entre 2002 e 2009. O filme propõe um passeio na eterna Primavera de Fernando Arrabal, entre seus 70 e 77 anos, considerando as rugas que lhe marcaram e se aprofundaram, e que não foram capazes de fazer com que perdesse a sua juventude e ludicidade. Sua criatividade faz com que seja permanentemente encenado nos quatro cantos do mundo. Arrabal não tem tempo de envelhecer. De Moscou a Buenos Aires, passando por Jena e Paris, esse filme refaz os passos desse exilado que trocou suas raízes pelas pernas. Presente em todas as frentes artísticas, Arrabal nos lembra o papel do poeta diante do Mundo, que deve sempre ter a última palavra. Quanto ao filme de Fernando Bélens, trata-se de um documentário gravado numa outra vinda de Fernando Arrabal a Salvador. De forma intimista, traz comentários do dramaturgo sobre teatro, ciências, patafísica, atualidades e filosofia.


Seis Dias - O Sr. Poderia explicar melhor a parceria teatral existente entre o Grupo Boiacá e o Grupo Tarahumaras. Quais as principais influências recebidas pelos grupos e quais são os seus principais idealizadores?

Wilson – Na verdade, desde que conheci Nysio Chrysóstomo, carioca, desenhista, publicitário, artista plástico, dramaturgo e diretor de teatro, tivemos um diálogo interessante, tendo em vista concordarmos em muitas questões a respeito da arte. Depois ele criou o Grupo Makuamba, com o qual montou alguns espetáculos e ganhou alguns prêmios. Houve um tempo em que voltou para o Rio de Janeiro e o Makuamba se dissolveu nas mãos dos integrantes que se propuseram a dar continuidade a esse trabalho. Durante essa temporada, no Rio de Janeiro, Nysio criou o Grupo Boiacá e sempre estivemos em contato até que resolveu voltar para o Espírito Santo, em especial, Vitória. Daí, resolvemos juntar o Boiacá e o Tarahumaras em alguns projetos, entre outros, a montagem de “O cemitério de automóveis”, de Fernando Arrabal. Trata-se de uma parceria interessante, pois o Tarahumaras, com 23 anos de existência, é conhecido por sua pesquisa de linguagem, pela influência de Antonin Artaud, Fernando Arrabal e outros latino-americanos como Santiago Garcia, Egon Wolf, Lino Rojas, Héctor Rodrigues Brussa, Miguel Bejarano, Enrique Buenaventura, Vicente Revuelta e outros. Por outro lado, o Boiacá tem uma pesquisa que tem muito a acrescentar ao nosso trabalho que vem a ser a pesquisa da linguagem circense e os bonecos.


Seis Dias - Sabemos que Arte e Estado são dois ingredientes que se amalgamados, tornam-se potencialmente condutores de ideologias, muitas vezes indo de encontro aos verdadeiros interesses da sociedade, como ocorreu no Estado Novo de Getúlio Vargas, quando a classe artística foi cooptada pelo DIP (Departamento de Imprensa e Propaganda). A seu ver como deveria ser essa relação? Ocorre no Espírito Santo essa fusão? Onde?

Wilson – O grande problema começa na medida em que os governantes não conseguem distinguir a diferença entre arte e cultura. Depois, por desconhecerem ou fazerem de conta que não se lembram do que diz a própria Constituição, ou seja, que quem produz cultura é a sociedade civil e que o papel do governo é somente propiciar meios para que a mesma seja produzida. Não posso dizer do Espírito Santo como um todo, pois existe certa pressão do governo federal para que os estados e municípios se mobilizem em prol de um sistema nacional de cultura, organizado através de secretarias de cultura, fundos de cultura, leis de incentivo e etc. Bom, aqui estamos falando de cultura, como forma de nos organizarmos na tentativa de democratizar o acesso aos bens culturais, definição de espaços de poder, responsabilidades, entre outros elementos. Mas a arte não é nada disso e não deve nunca andar de mãos dadas com o estado. Quando isso acontece, principalmente em uma sociedade capitalista, a arte se resume apenas a uma possibilidade de investimento ou mero aparato de embelezamento do sistema, sem nenhuma possibilidade de crítica.

Seis Dias - Como o Sr., presidente da FECATE (Federação Capixaba de Teatro), analisa o teatro capixaba, especialmente o produzido no interior do estado? Representando tantos grupos de teatro – mais de quarenta – a Federação tem sido ouvida?

Wilson – O teatro capixaba passa por uma fase de transição, assim como o movimento teatral em quase todo o país, considerando que, com a criação de conselhos, fundos de cultura, algumas mudanças nas leis de incentivo, incluindo, a Rouanet, faz-se necessário uma série de adaptações. O que parece mais importante é que o movimento de grupos tem se intensificado e não é por acaso que a FECATE se organiza para esse novo momento, apesar de ser uma retomada de projetos antigos, como por exemplo, o “Pé na Estrada” e o “Seminário Permanente”. O “Pé na Estrada” é um projeto de circulação de espetáculos com uma pequena mostra e envolvimento com as comunidades e grupos locais, donde a partir desse encontro e troca de conhecimentos, tanto entre os grupos quanto com a comunidade, se realiza o “Seminário Permanente” que é um debate e análise desde o processo de produção até o de criação, incluindo também aí as dificuldades políticas de realização de nossos trabalhos. O teatro no interior do estado, refiro-me aos grupos, têm se fortalecido, principalmente, no sul. Cachoeiro de Itapemirim, Guaçui, Castelo, Alegre e, inclusive, no próximo mês estaremos realizando o primeiro “Pé na Estrada” com o “Seminário Permanente” na cidade de Presidente Kennedy. Já com vistas em outras três cidades da região, até o final do ano. No norte, temos também alguns grupos que se reorganizam em São Mateus e Nova Venécia, além de São Gabriel da Palha, que tem um grupo veterano. Hoje já detectamos mais de 50 grupos, embora estejamos em contato com pouco mais de 30, mas apenas temporariamente, enquanto organizamos nossa secretaria atualizado os endereços e novos representantes. Temos sido ouvidos por algumas secretarias de cultura locais, como em algumas cidades do sul citadas e, no norte. Com São Mateus e Linhares temos discutidos projetos para esse final de ano e o primeiro semestre do ano que vem. Estamos discutindo na FECATE a possibilidade de realização de um Festival Estadual de Teatro para março de 2011. Mas nem tudo são flores, considerando que a incompetência de secretários, somada à falta de políticas públicas para a cultura, à busca por resultados a qualquer preço e à corrupção, são entraves para o desenvolvimento e para a produção cultural por parte da sociedade civil. A cidade de Colatina é um perfeito exemplo disso. Não tem um projeto de cultura com vida útil, formação de platéias, leitores, fomento à produção. “Festa do Cafona”, “Calcinha Preta” e acho que “Festa do Chapéu” são as únicas coisas que se fica sabendo acontecer na cidade, ou seja, apenas eventos passageiros onde o que se gasta com um artista medíocre em três festas supera o aplicado na cultura durante todo o ano na cidade inteira. Este espaço aqui é muito pouco para dizer todas as coisas que seriam necessárias explicitar.

Seis Dias - Já que o Sr. citou Colatina, sabemos que o ex-prefeito da cidade, Guerino Balestrassi, bem avaliado em seus dois mandatos, disse em entrevista ao jornal A Tribuna que não existiam bons quadros no município para ocupar a pasta da cultura. O que o Sr. pensa sobre essa questão?

Wilson – Eis ai a grande piada e de mau gosto. Primeiramente, quem avaliou os dois mandatos de Guerino Balestrassi? Sob quais princípios e medidas? Um governo bem avaliado em um sistema caótico e que se nivela por baixo é um governo que mantém essa espécie de estratificação das diferenças sociais e administra a tragédia (fatalidade). Daí vem a ostentação do aparelhamento da repressão dos organismos oficiais sem que nenhuma medida de transformação e melhoria das condições de vida dos cidadãos sejam aplicadas. É uma ciranda de verbas federais para projetos de “re-socialização” que mais se sustentam pelo fato de terem sido “premiados” do que pelos seus resultados. O que fica difícil entender é como uma administração com dois mandatos foi bem avaliada se em oito anos não se comprou um livro para a biblioteca municipal que está caindo aos pedaços? Como pode ser bem avaliada uma administração de um município que – no início do mandato – tinha nove grupos teatrais e no final não tem nenhum? Como pode ser bem avaliada uma administração de uma cidadezinha do interior que proporcionalmente supera o índice de marginalidade da capital? Depois, dizer que a escolha do secretário de cultura se deu em virtude da cidade não possuir bons quadros para ocupar a pasta significa, primeiramente, um desrespeito para com os cidadãos colatinenses, ou seja, aceitar a idéia de que um analfabeto funcional esteja mais apto a ocupar o cargo do que todas as outras pessoas da cidade. Seria esta uma forma de justificar o nepotismo, considerando que o secretário é irmão do ex-vice-prefeito (atual prefeito)? Será que o fato de ser um músico de rimas pobres, de temas simplórios o qualifica para o cargo que poderia ter sido ocupado por alguns professores e intelectuais que existem na cidade? Será que quando Guerino afirma não existirem bons quadros para a pasta, ele quis dizer que em toda a cidade - ou por desconhecimento ou interesses outros - os “bons quadros” a que se refere diz respeito apenas aos de seu convívio ou do seio do grupo com o qual fez um acordo para levá-lo ao pseudo poder?


Seis Dias - De que forma o ENTEPOLA (Encontro de Teatro Popular Latino Americano), cujo país de origem é o Chile, chegou ao Brasil e ao Espírito Santo?

Wilson – Desde o início dos anos 90 o Grupo Tarahumaras-ES participou diversas vezes do “ENTEPOLA – A utopia vive”, em Santiago de Chile e, em 1995, juntamente com o Grupo Pombas Urbanas-SP, realizamos no Brasil o VIRÁ QUE EU VI – 2000 em Nova Venécia-ES, a partir de mim como diretor do Tarahumaras e Lino Rojas, diretor do Pombas Urbanas. Tomamos essa iniciativa, assim como foi no México, no Equador, em Porto Rico, na Argentina e em outros países que resolveram organizar esses encontros de grupos teatrais para o fortalecimento de nossas identidades latino-americanas. No Brasil, depois que realizamos em Nova Venécia o VIRÁ QUE EU VI 2000 – Encontro Latino-Americano de Teatro, foi a vez de Florianópolis-SC que, em 1996, fez também sua edição. A terceira e quarta edições, também com o nome ENTEPOLA, foram realizadas pelo Grupo Tarahumaras, na cidade de Colatina. Também com o Tarahumaras e a FECATE (Federação Capixaba de Teatro), a quinta edição realizamos em Vila Velha, no ano de 2008. Em 2010, o ENTEPOLA, aprovado pela Lei Rouanet, está em vias de se realizar pelos Grupos Tarahumaras e Boiacá, de 6 a 11 de outubro, com a participação de Victor Soto Rojas, que acaba de ser homenageado no ENTEPOLA realizado na Colômbia, como o expoente mor na criação do ENTEPOLA do Chile, no ano de 1986.


Seis Dias - Por que o Sr. deixou de participar da produção do ENTEPOLA em Colatina?

Wilson – Porque em Colatina esse projeto tornou-se mentiroso e impossível de ser realizado a contento. Primeiro, porque o Sr. secretário Laudismar (vulgo Dimas) Deptulsky não tem o mínimo respeito com os artistas. Inclusive, posso elencar muitos que receberam calotes e maus tratos desse senhorzinho. Depois, não existe nenhum grupo de teatro em Colatina que possa garantir a eficácia desse encontro como um fomentador do movimento local e sequer qualquer ação ou projeto do poder público que propicie a formação de algum grupo. Deixei de participar em Colatina porque o essencial do ENTEPOLA, que são os debates e as oficinas, não acontece. Podem até fazer de conta, mas não se dá como o projeto inicial propõe, considerando que esse debate também é político. E, como se poderia debater política em um evento que pertence ao poder público e onde os artistas são apenas “voluntários”? O regulamento diz “O 4º ENTEPOLA requer uma rigorosa organização e um potencial humano disposto a colaborar VOLUNTARIAMENTE nesta iniciativa”. O Sr. secretário Laudismar Deptulski (conforme Guerino, por falta de “bons quadros”) pode até dizer que este termo já estava no regulamento dos primeiros que realizei, mas naquela época podia, considerando que quem realizava era o Grupo Tarahumaras, uma entidade de teatro e da sociedade civil convocando seus pares para uma empreitada. Mas não fica bem para uma prefeitura convocar voluntários quando se sabe que nada é feito para a área e que, inclusive, se gasta rios de dinheiro com eventos medíocres e multiplicadores da imbecilidade capitalista e televisiva. É vergonhoso se falar em voluntários quando todos sabem da truculência e do desrespeito que a administração tem para com os artistas. Uma das vítimas foi o grupo da própria cidade, o SHIVA - Serviço Humanitário Informação Vida e Arte que foi reprimido duas vezes, uma quando exibia um filme e outra no carnaval. Bem, acho que fico por aqui porque são muitos os motivos para não realizar o ENTEPOLA em Colatina. Se fosse aprofundar o tema, deveria denunciar questões de direitos autorais, formas de contratação, concurso de poesia e calotes em relação aos jurados, entre muitas outras ingerências. Mas isso é melhor tratar em distintas instâncias, considerando que há coisas para o Ministério Público e outras para a justiça comum.


Seis Dias - Como o Sr., eleito recentemente para o Conselho Estadual de Cultura, avalia o processo de tombamento do casario de Itapina, iniciado no primeiro mandato de governo do ex-prefeito Guerino Balestrassi?

Wilson – Na verdade, nem se trata de uma fala de conselheiro, levando em conta que ainda vou tomar posse e que fui eleito titular para a Câmara de Literatura a partir de um entendimento entre as entidades representativas, a saber: Academia Espirito-santense de Letras, Associação Capixaba de Escritores e Academia Feminina Espirito-santense de Letras. Como cidadão, acho extremamente necessário o tombamento de Itapina como patrimônio histórico e natural. Quanto ao processo, não estou acompanhando de perto e não sei em que estágio está. Sei apenas que existe ou existia a expectativa e que a secretaria criou um festival de viola (mais um evento) no local. Talvez apenas para tentar valorizar o local com ponto de vista comercial, aliás, uma vez o secretário me convidou para ir a uma propriedade que comprou lá, não sei se sítio ou chácara. É um olhar para o futuro, ou seja, se há o tombamento...


Seis Dias – Houve alguma participação direta do Sr. em algum momento desse processo?

Wilson – Posso até dizer que houve uma participação direta, mas foi muito pouco. Apenas recuperei alguns documentos que estavam no Conselho Estadual de Cultura. Havia uma caixa com fotos, escrituras e alguns documentos de cartório, além de alguns depoimentos de moradores. Depois, fiz algumas pesquisas sobre as providências necessárias que a prefeitura de Colatina deveria tomar para levar adiante a idéia e transformá-la num processo. Deixei tudo isso com o secretário, inclusive, algumas coisas passei por e-mail. Finalmente, fiz contato com o arquiteto e historiador Fernando Achiamé (que coincidentemente nasceu em Colatina), conseguindo que fosse até a cidade para melhor orientar a prefeitura, tendo em vista que ele também já tinha sido membro do Conselho Estadual de Cultura e um grande entendedor do assunto. De lá pra cá não soube mais nada do tema. Encontrei recentemente com Fernando Achiamé que me disse também não ter nenhuma informação, mesmo que numa tentativa de fazer de conta que existe de fato um conselho municipal de cultura em Colatina, o secretário o havia convidado a ser membro.


Foto: Divulgação.
Wilson Coelho ladeado pelo dramaturgo baiano Gil Vicente Tavares e por Fernando Arrabal, em Salvador, na UFBA.
Fonte: José Lino França Galvão

Abaixo vídeo com entrevistas realizadas durante o evento promovido pela Universidade Federal da Bahia Torre de Arrabal , momentos com falas de Fernando Arrabal, da idealizadora do projeto Marcele Pomponet e do dramaturgo capixaba Wilson Coêlho.
Confira no Youtube:

 





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