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quarta-feira, 16 de março de 2011

Na Coxia > Portal Yah! > Fragmentos na Ribalta: Pelas paredes da casa: crítica à peça “Bernarda, por detrás das paredes”, do grupo Repertório Artes Cênicas e Cia

Em outubro do ano passado eu tive a maravilhosa oportunidade de assistir ao espetáculo “Bernarda, Por Detrás das Paredes”, do Grupo Repertório Artes Cênicas e Cia. A adaptação do texto – que mistura “A Casa de Bernarda Alba”, de Frederico Garcia Lorca, com “Arte Poética” de Aristóteles – foi magistralmente feita pela dramaturga e diretora Nieve Matos. É um verdadeiro espetáculo aos olhos, que nnos dá prazer de dizer que no Espírito Santo temos trabalhos de excelente qualidade, mas eu preferi não opinar sobre a peça, por dois motivos: 1º – como vivo dizendo, não sou crítico de teatro, falo do que gosto e elogio se fico satisfeito; e 2º – Este espetáculo não merecia a opinião de um mero espectador, que mal recorda da sensação de estar em um palco de teatro e que somente pode dizer o quão maravilhado ficou com o trabalho, merecia a critica especializada, de pessoas que compreendem tanto a sensação de assistir, como de fazer teatro, então tomando a liberdade – dada pela diretora Nieve Matos, que intermediou com aqueles que opinaram sobre o espetáculo – disponibilizo aqui as críticas do professor e mestre em Literatura, músico e compositor Moisés Nascimento e do diretor, dramaturgo e ator Fernando Marques, do Grupo Z de Teatro, a quem em tenho enorme respeito. Então seguem abaixo, lembrando que a crítica do diretor Fernando Marques é uma resposta ao do professor Moisés Nascimento:

Pelas paredes da casa: crítica à peça “Bernarda, por detrás das paredes”, do grupo Repertório Artes Cênicas e Cia

10/março/2011 – por Moisés Nascimento

cartaz Bernarda

A peça teatral Bernarda, por detrás das paredes, do grupo Repertório Artes Cênicas e Cia, foi um dos grandes espetáculos teatrais produzidos em solo capixaba em 2010. Uma adaptação da obra A casa de Bernarda Alba, de Federico García Lorca, e da Poética, de Aristóteles, a encenação leva o espectador não só a perceber o perfeito domínio do texto que possuem os atores Nicolas Corres Lopes e Roberta Portela, como também a refletir sobre o fazer teatral, em que a metalinguagem, tão cara à Lorca, se faz presente a todo o instante.

_MG_0317 Ao chegar ao portão 152 da Rua Professor Baltazar, no centro de Vitória-ES, e adentrar ao pequeno pátio da casa, o espectador de primeira viagem, sem se dar conta, já é plateia. Isto porque a encenação do espetáculo começa ali, com os atores promovendo uma “algazarra” nas janelas e paredes do segundo e primeiro piso – o que gera um pequeno pavor nas quase 50 pessoas ali presentes (o número é limitado em função do espaço e da proposta da peça) –, embalados por uma trilha sonora com fortes influências do flamenco espanhol. E quem leu o texto de Lorca, percebe nesta pequena “introdução” uma expansão do texto original, que talvez necessitasse de um pouco mais de cenário, caso a ideia fosse encenar a peça do dramaturgo. No entanto, é nisso que o grupo Repertório se sobressai e mostra que Bernarda é um espetáculo contemporâneo, pois a adaptação do texto para a casa, principalmente em tentar limitar o texto àquele espaço físico, é genial.

Percebe-se o dedo preciso e minucioso da diretora do grupo, Nieve Matos, que demonstra habilidade tanto na adaptação textual quanto em dispor o espetáculo na ambiência da casa. Acostumado a ver só lamento nesta cidade por parte daqueles que fazem teatro, ora pela falta de espaço, ora pela de público, encantou-me ver a capacidade da diretora de levar o teatro para espaços em que ele nunca deixou de existir – na rua, no caso do espetáculo anterior (Peroás e Caramurus) e nas casas. Não é novidade a utilização da casa – já que em outros lugares, sobretudo aqui no Espírito Santo, já se fez isso; mas o sabor consiste em fazer isto com a obra de Lorca, grande dramaturgo por excelência, que, portanto, exige sensibilidade e maturidade estética. E isso pode ser notado na forma como as personagens do texto original se desdobram nos dois atores do espetáculo (Nicolas e Roberta) – que se dividem ora em Bernarda, ora em Maria Josefa, Angústias, Madalena, Amélia, Martírio, Adela, La Poncia, criada, Prudência etc., etc., etc.

Nieve Matos, em comparação a outros dramaturgos contemporâneos capixabas, sobressai. Talvez por saber dosar a teoria – algo em parte raro para alguns escritores daqui – e a prática teatral em uma sintonia que beira à perfeição, se não fosse o excesso de metalinguagem que recheia o espetáculo e parece sobrar. Cito um exemplo: várias vezes os atores se apresentam enquanto Nicolas e Roberta durante o espetáculo; destituídos ou não dos personagens, isso traz sabor ao espetáculo; porém, às vezes sobeja como no trecho em que o personagem de Nicolas afirma que “a próxima cena será encenada a pedido da atriz Roberta Portela”. Esse é um pequeno exemplo que se pode dar em que se nota a sobra da metalinguagem no espetáculo, já que não há necessidade dela ser marcada a todo o instante.

No entanto, isso é apenas pequenos detalhes que em nada prejudicaram o impacto estético que a peça proporcionou ao público presente, com certeza marcado pelo desconforto, seja rindo ou espantado; porém, nunca doce demais, ao ponto de deixá-los curiosos a respeito de quais os próximos rumos do grupo Repertório.

É isso.
Moisés N.

-*-

11 de março de 2011

Olá, Moisés.

Escrevo pra dizer, em primeiro lugar, que fico muito feliz por perceber que há gente disposta a escrever sobre o teatro feito no Estado – precisamos disso. E para dizer, ainda, que concordo com o que você diz: o espetáculo é um dos grandes entre os que temos feito por aqui. Adoro o texto do Lorca – na verdade, gosto muito dele, de maneira geral – e adorei a montagem. A experiência do espetáculo, pra mim, como espectador, foi muito, muito boa. E, como alguém de teatro – e que faz teatro aqui, no ES -, muito gratificante.

_MG_0333 De um ponto de vista muitíssimo pessoal, devo dizer que ver a Poética aristotélica ali, posta em cena, foi muito legal – vinha de um ou dois semestres dando aula sobre o assunto e, ver os fundamentos do teatro dramático tratados daquele jeito, eu que vinha tratando o tema de uma forma dura, quadradinha (mea culpa) – foi uma delícia.
E aí entra o seguinte: uma montagem de Bernarda que leva pra cena a Poética faz com que Aristóteles pontue Lorca ou com que Lorca ilustre Aristóteles? Parece-me que faz com que as duas coisas aconteçam. E mais que isso: Aristóteles e Lorca passam a falar – ou a ser instrumentos para que se fale – do Repertório, de um processo de criação específico. Tudo bem, em alguma medida, todo trabalho artístico fala de si e de como foi engendrado. E isso é algo que, em muitos casos tem sido levado às últimas consequências pelo teatro contemporâneo. Às vezes, isso rende umas coisas bem chatinhas. Ás vezes, como no caso de Bernarda, por detrás das paredes, rende coisas muito interessantes.

Eu tenho um palpite sobre o que faz a diferença. Bernarda – o espetáculo – fala de si mesmo, mas, falando de si, fala de mais que isso. Não perde a mão e não ignora a densidade do que Lorca nos dá, não deixa a história de lado, não perde de vista o que o texto tem – e muito – de poético e de patético – e, é claro, patético, aqui, refere-se a pathos e seus demais derivados. E, por outro lado, não pesa a mão, não se esquece de algo que já estava em Brecht – de que o teatro não pode ser uma escolinha – e, com isso, não nos faz sentir em uma sala de aula pra estudar a teoria aristotélica. Aliás, se prestarmos atenção, não é só de Aristóteles que se fala. Quando o espectador é advertido quanto ao procedimento de os atores dobrarem personagens não ser algo novo e de quando se começou a fazer isso no Brasil, quando se fala de que aquela cena está ali por insistência da atriz, entre outras coisas, quando se faz isso, parece que o grupo está dizendo: olha, eu estou te contando a história de Bernarda, sua criada e suas filhas, eu estou te falando de Aristóteles, mas eu estou falando também de mim, e de como eu faço isto que você está vendo, e de como isto que eu estou fazendo vem sendo feito antes de mim. É como se me dissessem: Olá, eu sou Nicolas, ou Roberta, ou Nieve, ou Pôncia, ou Bernarda, ou as filhas, ou os rapazes que tentaram, ou que foram tentados, ou Lorca, ou Aristóteles, ou o Repertório, ou tantas outras, ou tantos outros, e você, quem é? E isso quer dizer que eles, ao falarem de si, não falam para si, mas falam comigo também – e não apenas porque sou eu também alguém de teatro, mas porque sou alguém que foi até ali ver, e vivo no mesmo mundo em que vivem eles, e que não perco a consciência de que estou numa casa no Centro de Vitória, mas não deixo, por isso, de entrar na rede do Lorca ou do Aristóteles, mas, sobretudo, na rede que o Repertório me convida a tecer, a partir de novelos de Lorca e Aristóteles e outros mais, mão a mão, juntos, ali, naquela hora.

Por isso é que não me parece sobrar, em Bernarda, por trás das paredes, a metalinguagem. E este é o nosso único ponto de discordância quanto ao espetáculo.

No mais, fica reiterado o meu agradecimento por você escrever sobre o teatro que fazemos por aqui. Não por nenhuma veleidade – mas pela oportunidade do debate. E, com isso, espero que tenha ficado clara minha intenção de trocar, de crescer, de falar e ouvir – e não de retrucar, pura e simplesmente. Quem sabe o Portal Yah e a Rede Cultura Jovem não pensam na possibilidade de um ou outro bate-papo? Seria bem proveitoso, eu acho.

Abraço.

Fernando Marques

Ambas as críticas podem ser encontradas no Portal Yah!, em Fragmentos na Ribalta: http://portalyah.com/fragmentosnaribalta/

segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

Na Coxia: Vergonha Histórica e Cultural, por Wilson Nunes

Recentemente eu falei sobre o fechamento do Teatro Galpão e no fim do ano de 2009 falei sobre os problemas que o Teatro Edith Bulhões passava, antes de sua demolição em 2010. Os governos municipais e estaduais do Espírito Santo nada fazem para mudar ou mesmo melhorar isso e falo em todo o estado mesmo, pois vemos situações absurdas acontecendo.

Vitória, capital do Espírito Santo, deveria ser exemplo de investimento cultural em todo o estado, mas está atrás de muitas outras cidades, no que se fala sobre teatros.

wilson Ontem (20/02/2011), eu coloquei aqui o texto escrito pelo diretor, ator e produtor José Luiz Gobbi, em duas partes, no Opiniões do Facebook, mas antes disso havia pedido para o ator, diretor e dramaturgo Wilson Nunes, escrever algumas palavras sobre o que vem ocorrendo com os nossos espaços e ele se disponibilizou com o maior prazer.

Eu respeito muito a opinião destes dois, com quem tive o prazer de trabalhar no teatro, um me dirigindo (Gobbi) e com o outro sendo assistente de produção (Wilson). Bem, deixo vocês com as palavras sinceras de Wilson Nunes (obrigado de coração, Wilson!)

VERGONHA HISTÓRICA E CULTURAL

É assustador ver o que está acontecendo !!! Muito mais que nossos espaços culturais, estão aniquilando a história cultural de uma cidade, de um estado.

Me lembro , no final dos anos 70 , quando passava pela avenida Jerônimo Monteiro e olhava para a Casa da Cultura onde também ficava o SATED (Sindicato dos Artistas e Técnicos em Espetáculos de Diversão) e me imaginava atuando naquele espaço. Pensava : “Um dia estarei no palco da Casa da Cultura”. Os anos passaram e acabei fazendo ali um curso de Teoria do Teatro. Um palco gostoso, um espaço que era a cara do teatro capixaba. Pois é... Anos depois derrubaram este espaço de tantas histórias para dar lugar não sei a que, pois até hoje o terreno está as moscas por lá.

Ninguém falou nada ! Ninguém protestou. Mesmo sendo particular, teríamos que ter feito alguma coisa. Derrubaram um pedaço da nossa história !!! Arrancaram de nós um pedaço da história do teatro capixaba e “ninguém” fez nada .

Alguns anos depois alunos sem preparo cultural nenhum, em um vandalismo, mais uma vez assustador, quebram e aniquilam o Teatro Metrópolis (UFES).

O Teatro Metrópolis que no ano 2000 me amparou num momento que não sabia para onde ir com meu novo espetáculo – na época -: “Por Favor, Matem Minha Empregada”. Não tínhamos para onde ir com nosso espetáculo! Não tínhamos dinheiro para pagar outro teatro. Quando tive a idéia de entrar em cartaz no Metrópolis, muitos colegas me alertavam: “Está doido, Wilson ? Lá não vai ninguém“. Eu, como bom taurino e muito teimoso, entrei em cartaz neste espaço e o espetáculo se tornou um marco na cultura capixaba de público e crítica.

Fiquei três meses em cartaz com a casa lotada. Voltamos lá ainda com o espetáculo : “No tempo do Vinil”, que sem dúvida nenhuma é um marco divisor no nosso estado. Adorava aquele teatro! Mas destruíram ele sem nenhuma piedade e, mais uma vez, “ninguém fez nada”.

O tempo passou e sem respeito nenhum aos artistas que, dessa vez (Ufa ! Até que enfim!!!), clamaram para não derrubarem o Teatro Edith Bulhões, passaram, literalmente as máquinas do progresso em cima do apelo cultural e jogaram por terra aquele espaço que tantas histórias tinha guardado ali.

Agora fecham o Teatro Galpão por problemas de documentação. Ora... Todos nós sabemos que quando “eles” querem, há sempre um jeitinho para tudo. Bancos são salvos com o dinheiro do povo, quando “ELES” querem. Aumentos absurdos de salários acontecem, quando “ELES” querem . Parentes são nomeados, sem nenhuma qualificação para determinados cargos, quando “ELES” querem. Por que não salvar o Teatro Galpão, quando a nossa história precisa ser amparada? Por que não dar “aquela força” para os artistas locais, que não podem pagar aluguéis caríssimos de alguns teatros quando nós precisamos? POR QUÊ??? Sem estarmos refeitos da pancada na cultura que foi o fechamento do Teatro Galpão, ficamos sabendo por terceiros, pois nenhuma satisfação nos foi dada (até parece que fariam isso!), que o “abandonado” Teatro Carmélia foi interditado. Um teatro que abrigou vários espetáculos e que por falta de equipamentos, pois “ELES” deixaram o teatro sucateado e por falta de TOTAL segurança não podíamos mais entrar em cartaz lá. Muitos falam : “Por que vocês não vão para o Carlos Gomes?” Porque para entrarmos no Carlos Gomes , que é do governo estadual e mantido com o dinheiro do povo, nós temos que enfrentar num famigerado edital e pagar, “antecipadamente”, repito, “an-te-ci-pa-da-men-te” uma taxa de R$ 200,00 por dia e mesmo assim só temos direito a um final de semana . Entrar em temporada no NOSSO teatro, NÃO TEMOS DIREITO. Tem o Teatro Universitário (UFES) que pertence ao governo federal!!! Quem somos nós para entrarmos lá . Taxas exorbitantes são cobradas. Outros teatros existem, mas cobram diárias que não passam nem perto da nossa realidade. ESTAMOS SEM TETO CULTURAL E SEM APOIO NENHUM. Iremos nos calar, como sempre? A nossa história, a história de uma cidade e de um estado está sendo derrubada e manipulada sem respeito algum. Para onde iremos ??? Para rua ??? Acho que teremos que pagar flanelinhas para guardarem nossas vagas. Teremos dinheiro e apoio para isso???

Wilson Nunes - wilsontadeununes@gmail.com

domingo, 20 de fevereiro de 2011

Na Coxia: Pobre cultura capixaba, por José Luiz Gobbi

gobbi01(1) Esta semana as opiniões se inflamaram no Opiniões do Facebook, criado por Rosa Rasuck. O ator, diretor e produtor teatral José Luiz Gobbi, conhecido por ter eternizado a personagem Marly, de Milson Henriques, nas peças Hello Creuzodete, decidiu expressar sua insatisfação com a falta de espaços culturais para poder se apresentar espetáculos cênicos em Vitória e no Espírito Santo.

Gobbi tabalha com teatro há anos, tendo iniciado sua na UFES, quando esta tinha um grupo de teatro. Sua insatisfação foi um manifestação do que a grande maioria dos artistas cênicos têm sentido com a demolição do Edith Bulhões em 2010 e o fechamento do Teatro Galpão no começo de 2011, sem espaços como o Teatro Municipal de Vila Velha que se encontra fechado e o Teatro José Carlos de Oliveira, no Centro Cultural Carmélia Maria de Souza, que somente abre em temporadas do Festival Nacional de Teatro “Cidade de Vitória”, pois o resto do ano encontra-se em constante reforma.

Bem, não vou me alongar neste texto, deixo-os com Gobbi, que me deu liberdade de juntar os textos (e mais alguma coisa que escreveu) aqui no blog Teatro Capixaba (Obrigado, Gobbi!):

POBRE CULTURA CAPIXABA! Não temos mais espaços para apresentações.

O teatro Carlos Gomes virou caixinha fechada para o capixaba, afinal uma política cultural montada em cima de editais, é política de exclusão e de divisão dos grupos produtivos. Antigamente, aquele teatro abrigava as estréias e temporadas locais, que tinham a preferência. Entendo, até, que se estabeleça sua ocupação por edital para grupos de fora, mas se o órgão gestor da política cultural não criar políticas de fomento e de criação de espaços, aonde iremos apresentar nossos espetáculos? Como motivar o surgimento de novos artistas e grupos teatrais? Como dizer para um jovem que siga em frente em seu desejo de ser "artista capixaba"? Será que, para preservação da espécie (e não só de atores, mas de músicos também) não se pode pensar em definir que, de segunda a quinta-feira, quando o teatro fica ocioso, os grupos locais com montagens, sejam estréias ou não, ocupem o espaço, mantendo a produção teatral local? O teatro fica fechado a maior parte do tempo, em função da "rígida" cultura de editais... O Teatro da Ufes já fechou a temporada de 2011, está todo ocupado, me foi falado por uma produtora local. Alguém ficou sabendo, ou melhor, os capixabas foram avisados que poderiam solicitar o teatro? Parece que já iniciaram a programação de 2012.E olha que o custo por noite lá é alto, mesmo sendo um teatro federal! O Teatro Galpão está fechado. O Teatro do Sesi, este sim, particular, também tem custo alto para as produções locais. O Teatro de Vila Velha, está abandonado. E eu, particularmente, sofro muito com isso, pois quando apresentamos, em 1992, a peça primeira da série "hello", ele, mesmo com suas dimensões reduzidas conseguia nos atender. Resta o de Viana, este sim, um teatro de bolso bem interessante. Como não tenho ido lá nos últimos tempos, espero que o poder público municipal continue cuidando dele. Afinal, tornou-se jóia rara, único local para apresentação dentro de nossa realidade. Estou preocupado, pois com o incentivo da lei cultural de Vitória temos que fazer nossa estréia na Capital, assim penso eu, afinal é dinheiro do município. Mas, aonde apresentar? Vamos todos fazer teatro de rua! Aliás, lugar de artista capixaba, pelo visto, é na rua mesmo! Porque casa não temos! Alguém pode me ajudar a raciocinar melhor? Aceito ajuda! Ou melhor, o teatro capixaba merece respeito e local! E que não seja apenas um, mas muitos! Dentro de nossa realidade.

Teatro Studio, na Cidade Alta, Teatro do Centro de Artes da Ufes, Teatro Carmélia, Teatro Scav e tantos outras pequenas salas que abrigaram a produção capixaba. Os espaços vão acabando e os existentes tem o acesso extremamente dificultado para nós. O que estão contruindo, excluindo o (pasmem!) do Sesc, instituição quase privada que se preocupou em fazer uma sala grande e uma menor para temporadas realísticas e deve inaugurar (a sala pequena) com texto de Milson, não contempla pequenas salas, quero dizer, do tamanho de nossa realidade. Isto é vergonhoso! Pagar pelo teatro universitário para mim significa o mesmo que fazer faculdade na Ufes pagando. Afinal, é federal ou particular? Se foi construído com dinheiro de nossos impostos, é mantido por verba pública, fica em Vitória, e, ainda assim, não podemos ocupar, desculpem-me, Vitória é a casa da mãe joana no mau sentido e que me perdoem as joanas. Política cultural de omissão, de não entender a realidade pulsante, de cegueira e de muito desatino. Já houve um tempo em que se via duas, três e até quatro montagens locais em cartaz... Hoje, tem sim, stand up comedy (cacete!) dos televisivos (nem tão vivos assim) por todo o lado. E o teatro Marista? Ah,meu amigo, fica lá longe, em Vila Velha. Um dia disseram que existe um abismo cultural entre os dois municípios, mesmo com as pontes. Elas transportam carros, não idéias nem ideais. A falta de visão metropolitana de nossos dirigentes e um planejamento de ação cultural não pode ser circunscrito a este pequena Vitória, mas pensar Vila Velha, Serra, Cariacica, Viana, Guarapari e talvez mais algumas adjacências como uma verdadeira região metropolitana. Assim como se faz no mundo inteiro. Um existir circular de acontecimentos tal, que quando abríssemos os jornais, não veríamos apenas os shows baianos ou sertanejos que assolam nossa cultura e a mente de nossos governantes e empresários.

sábado, 27 de março de 2010

Na Coxia: Réplica as críticas

Não, não sou eu que estarei replicando as críticas a mim ou ao blog, mas estou dando espaço aqui para o ex-presidente do SATED/ES, o Sr. Carlos Francisco da Silva, também conhecido como palhaço Azedinho, para colocar sua defesa quanto ao que já falei sobre sua administração aqui.

teatro capixaba O blog Teatro Capixaba, como qualquer meio de informação informal, vem sempre – tentar - divulgar as peças que correm o estado do Espírito Santo. Nem sempre é possível, pois não são todas as produtoras ou produtores que confiam no blog para passar tal informação. Eu, como administrador do blog, também gosto de opinar sobre a situação do teatro – tanto como casa de espetáculos que recebem as peças, como as peças em si -, e as vezes coloco minha opinião sobre a administração do SATED/ES, que para mim, que convivo com artistas da capital, nunca fez nada para estes.

Como fui um ávido crítico da administração do Sr. Carlos Francisco da Silva, cheguei a apoiar o movimento que entraria com uma segunda chapa para se candidatar ao cargo do presidente do sindicato, mas nunca deixei de dizer que aqui é um canal aberto para quem quiser colocar algo.

O texto que lerão a seguir foi enviado ao blog em formas de mensagens no dia 08/03/2010 (segunda-feira) de madrugada pelo ex-presidente. Ele pede para que tal seja repassado na íntegra, então eu o farei, mas antes tenho de colocar algumas ressalvas:

- NUNCA tive preconceitos com nenhum artista cênico, seja ele de teatro, dança, circo ou ópera, pelo contrário, tento manter um laço de amizade com todos, sem generalizações, então tudo dito aqui pelo Sr. Carlos Francisco da Silva, espero eu, que não tenha sido voltado a mim;

- Sempre que procurei o SATED/ES para servir de canal de comunicação do sindicato com o artista cênico, me deparei com as PORTAS FECHADAS, não sendo me passado nada que pudesse auxiliar a instituição de alguma forma, jpa que o site desta, mencionado no texto, sempre estava desatualizado e não permitia ao artista saber quando aconteceriam as provas para qualifica-lo como artista profissional.

- Eu, como administrador do blog Teatro Capixaba, NUNCA me coloquei como jornalista. Pelo contrário, respeito o profissional em questão e seria de uma tremenda desonestidade me considerar qualificado para tal. Sou sim um amante do teatro. Amo esta arte com todo meu coração e continuarei a divulgar as peças que me forem enviadas, servindo de um meio de comunicação entre o artista e seu público.

- Algumas palavras do ex-presidente mostram uma batalha “invisível” do SATED/ES pelos direitos do artista no exterior, mas não mostra uma batalha mais regional, reivindicando os direitos do artista no Brasil ou mesmo no Espírito Santo.

- O ex-presidente fala de um dever cumprido, estabelecendo número de profissionais na área cênica, mas fica a pergunta: Como a grande maioria destes profissionais conseguiu seus registros? E se não é o sindicato que fornece o registro profissional, ele serve de elo entre o artista e a Superintendência do Trabalho, vale lembrar, cobrando altas taxas para ser assim.

- Se for possível, acessem os sites do SATED/RJ e SATED/SP (clique em Filie-se!), mencionados pelo ex-presidente, para ver que benefícios fornecidos.

Segue o texto:

Senhores leitores desse Blog, em primeiro lugar espero que o que eu escrevo seja publicado na integra, afinal o meu nome foi citado “CARLOS FRANCISCO DA SILVA” E ASSOCIADO COM “PALHAÇO AZEDINHO” e por isso tenho que esclarecer alguns pontos talvez não SEJA conhecido entre os senhores,

PRIMEIRO:

Fui o primeiro artista palhaço eleito pela totalidade de votos do SATED/ES, quase 40 votos.

Afinal era esse o número de filiados que o SATED/ES possuía quando assumi a direção do sindicato.

Terminei o mandato com um número bem superior do que assumi e é de domínio dos associados o número de votantes e as várias categorias que participaram do pleito eleitoral, posso garantir que tinha poucos modelos e manequins, além de poucos circenses.

SEGUNDO:

É vergonhoso afirmar que em algum momento o presidente do SATED/ES quis renovar a sua permanência dentro do sindicato até porque estava conduzindo uma eleição que não aconteceu no primeiro momento e teve que ser conduzido para o segundo momento, para facilitar a democratização das eleições e garantir a disputa de duas chapas em situações regulares. A primeira liderada por artistas que há anos não pagavam as suas anuidades e mesmo assim eram beneficiados pelos trabalhos da secretaria do SATED/ES e para participar das eleições tiveram que fazer movimento dos inadimplentes do quadro social que achei ridículo, pois o SATED/ES em minha gestão sempre abriu as portas quando solicitado para colaborar com os profissionais, é tanto que alguns não faziam parte do quadro social, porém por que não abrir as portas para as pessoas que tem vontade de mudança, é democrático, não é?

TERCEIRO:

Quanto à comparação que é feita entre o SATED/ES, SATED/RJ, SATED/SP, já deu para entender que o nobre jornalista não entendeu qual é o verdadeiro papel do sindicato. Primeiro não é de dar benefícios, pois tornaríamos assistencialistas, não é o nosso papel, nem tão pouco distribuir registros profissionais, este é o papel da Superintendência Regional do Trabalho no Estado de origem de cada artista ou técnico, após sua formação em escolas credenciadas, o papel do SATED/ES é fazer o que fez o tempo todo; lutar pelos direitos trabalhistas com aquela advogada que foi citada, pois foi o primeiro passo do SATED/ES, criar um Departamento Jurídico, e para se comunicar com todo o Estado do Espírito Santo, foi criado o Setor de Comunicação e a criação do site SATED/ES, que durante todo o tempo de mandato foi visitado por vários gestores do estado e dos municípios para ter informações de piso salarial da categoria, colaborando assim com sócios e não-sócios do quadro SATED/ES.

É importante lembrar que o piso salarial da categoria foi uma grande conquista, além da fiscalização que foi forte em todo o estado, criando uma corrida dos artistas amadores para as escolas, buscando uma formação profissional.

No âmbito nacional, o SATED/ES conquistou um respeito grande dos SATED/RJ, cujo atual presidente é o Sr. Jorge Coutinho, e que abriu as portas do Sindicato do Rio de Janeiro, Ligia representado pelo diretor Paulo Pompéia, de São Paulo e Minas Gerais Madalena, Ceará Oscar Roney para receber os artistas capixabas através da filiação da Federação Internacional de Atores da América Latina (FIA-LA), que discutiu e aprovou alguns apoios importantes para os trabalhadores artistas e técnicos, na área da Saúde e Segurança do Trabalho com Assistência gratuita e apoio aos países vizinhos, em caso de graves acidentes, com seqüelas de deformação facial, por exemplo.

Além de intercâmbio direto com mais de 114 países, é só apresentar a carteira do SATED/ES, filiado a FIA. O documento encontra-se na sede do SATED/ES.

Outra conquista importante se fez no Congresso Internacional dos Artistas, organizado pela Federação Internacional de Atores (FIA), que foi realizado em Marrocos, onde foi discutido sobre a situação atual dos artistas do Brasil e do mundo com a participação de 114 países.

A classe circense ela sempre foi discriminada, as leis dos artistas do Brasil foram conquistadas pelo tão honrado BARTHOLO, do Circo Bartholo, porém os circenses com os seus circos menos estruturados acabaram ficando as margens da lei e aos poucos foram proibidos de trabalhar como antes, livres de impostos. Sendo assim, ficaram cada vez mais pobres e alguns sem identidade pessoal.

O SATED/ES abriu as portas e qualificou alguns artistas e técnicos, membros de famílias circenses de lonas, cumprindo o seu papel social.

Parece pouco e quase não aparece no cenário cultural, porque a fiscalização gera emprego, qualificação e melhores condições de vida para a categoria. Éramos 40 e hoje temos mais de trezentos associados. Sinto que cumprimos nossa missão e sei que o essencial é invisível.

E que a discriminação aos Artistas Circenses ainda não acabou.”

CARLOS FRANCISCO DA SILVA

PALHAÇO AZEDINHO.

EX- PRESIDENTE DO SATED/ES.

quinta-feira, 17 de dezembro de 2009

Na Coxia: Como estão os teatros de Vitória

Ontem (16/12/2009) eu estava bem desanimado para publicar algo no blog Teatro Capixaba. Na verdade, estava com muita preguiça, mas ao receber o material da Escola de Teatro e Dança FAFI, isso me empolgou.

Este Na Coxia eu já tinha preparado há um tempo, mas estava na dúvida de publicar ou não. Ele é mais uma reinvindicação do que uma crítica.

Eu amo ir aos teatro da capital. Desde o afastado Teatro José Carlos de Oliveira, dentro do Centro Cultural Carmélia Maria de Souza, até o Teatro do SESI, em Jardim da Penha. Eu espero que todos compreendam o que quero dizer com o texto e não se ofendam. Vamos lá!

Como estão os teatros de Vitória

carlosgomes Bem, o Theatro Carlos Gomes encerrou sua temporada e fechou suas portas para uma reforma. Ela iniciou no dia 24/11/2009 (terça-feira) e se estenderá até março de 2010. O intuito é fazer uma reforma externa geral, mudando as cadeiras, o assoalho da platéia, dando alguns retoques internos e – talvez – alterando aquela pintura cor de ovo da parte externa do Teatro. Com essa parada para a reforma, que durará quatro meses, eu volto minha atenção para os outros teatros que temos dentro da capital.

Vitória deveria possuir, no seu total, sete teatros, mesmo nenhum deles sendo um Teatro Municipal (aparentemente!), mas em prática só existem quatro funcionando (se contar que teve cinco em atividades durante a 5ª Edição do Festival Nacional de Teatro “Cidade de Vitória”), dentre eles são o Carlos Gomes em reforma, o Teatro Galpão, que funciona aos trancos e barrancos, o Teatro Universitário (que mais parece um enorme auditório do que um teatro) e o Teatro do SESI.

Durante o Festival, tirando o Galpão, que serviu de palco para outros festivais que aconteceram este ano de 2009, abriram também as portas do Teatro José Carlos de Oliveira, localizado dentro do Centro Cultural Carmélia Maria de Souza, mas este, apesar de um excelente palco e uma acústica muito boa, devido a localização, afasta o público mais do que atrai.

carmelia1 O Teatro José Carlos de Oliveira (nome no qual poucos sabem), além de desprestigiado por conta de sua localização próxima ao Sambódromo e ao “Tancredão”, sempre sofreu com problemas na qualidade dos assentos rasgados e com assentos soltando, além – não tenho certeza do fato – ter sofrido um incêndio, que o prejudicou muito mais. O descaso é outro fator que afeta este teatro, que tantos atores e diretores gostam, pois é desconhecido quem administra o local, se ainda o Governo do Estado ou a Prefeitura de Vitória, que há anos visa um teatro municipal, mas até hoje não chegou as vias de fato, enquanto cidades do norte e do sul do estado do Espírito Santo, possuem seus próprios teatros municipais, o que, para mim, é uma vergonha.

gloria-sesc Outro Teatro que está de portas fechadas é o Glória, mas este passa por uma extensa reforma, tanto internamente, quanto externamente. A obra é um projeto do SESC, junto com a Federação do Comércio do Espírito Santo, para transformar o Glória em um enorme Centro Cultural, com teatro, biblioteca, sala de exposições e até mesmo um cinema. Quando ficará pronto? Somente o tempo dirá, pois por enquanto ele está tapado por uma rede que mais parece uma teia de aranha envelhecida e empoeirada.

edithbulhoes(4) Outro espaço que os atores, atrizes, diretores, produtores e demais envolvidos nas artes cênicas tinham era o Teatro Edith Bulhões. Apesar de não ser um primor de teatro, com vários problemas internos, como uma péssima acústica, o espaço era usado por muitas peças teatrais, que se acostumaram a apresentar-se sem preocupações por lá. Antes de cerrar suas portas, o Grupo Taruíras Mutantes esteve com a peça “Um Forte Cheiro a Maçã” sobre aquele palco, ampliando-o para caber todo o cenário e o extenso elenco. edithbulhoes(2) Mas suas portas foram fechadas pelo Governo Federal, que tomou o prédio para primeiramente construir a nova sede da Polícia Federal, mas agora mantem uma placa aonde antes era o estacionamento, dizendo que ali será a nova sede da Receita Federal. O que acho mais interessante é que, em vez do governo federal investir em reformar o teatro e torná-lo um patrimônio cultural do Brasil, preferem demoli-lo e construir um órgão do poder público.

teatrogalpao(2) Mas não era somente o Carlos Gomes e o Glória que mereciam uma reforma, não. Já passou da hora de isso acontecer no Teatro Galpão. O teatro é um dos que tem melhor localização, pois fica na Reta da Penha, em Vitória, em frente ao Hiper-mercado Wallmart. Ele é um dos mais procurados e já serviu de palco para várias peças e espetáculos de dança, que ali estrearam, além de sediar dois festivais este ano, O I Virada Cultural e o I Aldeia SESC José de Anchieta. As poucas reformas que ele teve, nenhuma foi para mudar as cadeiras, que todos reclamam do desconforto, ou mesmo para colocar um sistema de refrigeração interno. Acho louvável mantê-lo aberto, como o dono faz, mas ele deveria pensar mais no que o público precisa, para apreciar melhor os trabalhos que acontecem no seu interior.

universitario(2) O Teatro Universitário, por outro lado, merecia uma reestruturação. Apesar de sua amplitude no saguão, e uma quantidade considerável de cadeiras, o formato da platéia é um tanto incomodo, pois a pessoa que senta em qualquer uma dos cantos tem uma visão muito precária do que acontece em palco, ou mesmo fica ciente do que acontece na coxia, mas mal consegue acompanhar o que acontece em cena.

teatrosesi(2) Já o Teatro do SESI, que tem o patrocínio do FINDES, junto com o SESI, - junto com o Teatro Galpão - é um dos mais procurados para estréias e aberturas de temporadas. A localização é – de certa forma – prestigiada, pois fica dentro de uma dos “bairros nobres” de Vitória – ES, Jardim da Penha. Sua platéia é reta e em formato de arquibancada, e proporciona uma visão geral do que acontece em cena, seja sentando nas cadeiras da frente ou nas cadeiras do fundo. A acústica é uma das melhores, facilitando até mesmo quem sentar nas cadeiras do segundo piso do teatro, poder ouvir o ator em palco.

cais_das_artes_externo Agora, na categoria utopia, ainda existe o Cais das Artes, que a SECULT planeja iniciar as construções antes do fim do mandato do atual governador do estado. Ele se localizará próximo a Praça da Cruz do Papa, na Enseada do Suá, em Vitória. O desejo da Secretaria é realizar uma construção que todos os artistas cênicos sonham no estado. Um espaço teatral com 1,3 mil lugares para a platéia, um palco aonde poderiam acontecer grandes espetáculos, além de operetas. O Cais das Artes terá também um museu com capacidade para grandes exposições, um auditório, biblioteca e um café. A pergunta é quando as obras se iniciam, só que a resposta é vaga, pois apesar do lançamento do projeto em junho de 2009, nada mais foi falado ou mesmo divulgado sobre o assunto, que muitos acham que será esquecido.

Sonhos, reestruturações, melhorias ou mesmo uma grande reforma, é disso que a maioria dos teatros da capital do Espírito Santo precisam, mas quando e se acontecerão... Bem, pelo menos o Theatro Carlos Gomes começou e tem previsão de entrega e o Teatro Glória continua seguindo com sua reforma geral, já o Teatro Galpão fica somente como desejo deste que vos escreve que um dia ele melhore, o Teatro Universitário com certeza manterá seu formato pouco “confortável” para quem assiste uma peça teatral, o Edith Bulhões continua com um futuro destino de demolição e o José Carlos de Oliveira permanece uma incerteza.

Eu torço para que algo ocorra no ano de 2010 e as coisas que eu disse aqui se alterem, mas como sempre não existe certeza quando se fala de teatro em Vitória, somente desejos e crenças de melhora.

Sai o resultado do Prêmio Omelete Marginal 2009

premio-omelete-marginal-09 Desculpem-me pela falta de atualização imediata, como ocorreu no ano de 2008, referente ao Prêmio Omelete Marginal 2009. Acredito que isso ocorreu - posso estar enganado – por causa de minha crítica (se assim posso chamar) ácida referente aos selecionados nas categorias de teatro.

Galpao 4 - Leonardo Merçon Bem, deixando isso de lado, já pode ser visto no site do Omelete Marginal a lista de ganhadores do Prêmio. Na categoria Teatro o resultado foi o seguinte: Na categoria Melhor Diretor de Teatro ganhou a diretora de cinema e estreante como diretora de teatro, Virginia Jorge. Eu votei em Marcelo Ferreira nessa categoria, pois achei o único merecedor, dentre todos os outros. A maioria dos diretores concorrentes, para mim, não tinham o mesmo nível de Marcelo, o que foi meio decepcionante. Já Virginia Jorge, diretora de “A Menina”, eu nem posso falar nada. Se ela ganhou, mérito dela, pois não posso levantar um testemunho contra seu trabalho de direção, já que não assisti o solo-cênico (prometo compensar isso assim que possível!).

Joe Jocker Na categoria Melhor Peça Teatral ganhou o espetáculo musical “Boulevard, 83”, do Grupo Teatro Empório. Eu já votei nessa peça para ganhar, não por causa da direção, mas sim por causa da história em si. A história do Boulevard é encantadora. Um grupo de dançarinos cria um show para levantar a casa que está em concordata nas mãos de um mafioso e uma cafetina, é simplesmente empolgante. Também dou destaque a atriz e cantora Nívia Carla, que faz a personagem Joe Jocker. Sempre rasgarei elogios para o trabalho dela com a personagem e pela sua voz maravilhosa.

Nívia Carla concorreu na categoria Melhor Atriz de Teatro e eu votei nela, mas não critico também a escolha de Fabiola Buzim nessa categoria, pois como à diretora, eu não assisti ao trabalho dela no monólogo “A Menina”.

o_figurante_invisivel[3] Já na categoria Melhor Ator de Teatro ganhou o veteraníssimo Ednardo Pinheiro. Eu não tiro o mérito dele, também, até gostei de sua atuação (que caiu como uma luva) em “O Figurante Invisível”, mas sinceramente, devido ao excelente trabalho solo de Mauro Pinheiro em “Rosas Brancas para Salomé”, o mínimo que eu esperava era o reconhecimento que ele merece.

imagem0002 Na categoria Melhor Festival ganhou o Festival Nacional de Teatro “Cidade de Vitória”. Esse sim é uma felicidade para mim. O Festival, todo ano trás os mais diversos artistas cênico-teatrais para os palcos da capital. Além das peças, há debates, cursos, workshops, entrevistas com os mais conceituados artistas brasileiros, sem contar que este ano houve até participação internacional no Festival, com duas peças teatrais cubanas.

Agora, na categoria Revelação do Teatro fica aqui meu protesto.

Era esperado que eles ganhassem? Lógico que sim, pois infelizmente ainda temos um sério problema em reconhecer o que é ou não é teatro.

comediaalacarte Antes que venham falar algo: Sim, eu fui assisti-los e gostei do que vi. Ri com eles, mesmo quando ironizavam o trabalho do ator de teatro, mas isso não quer dizer que devo considerar o trabalho deles como teatro. Estou falando de Comédia a La Carte, que ganhou o prêmio de Revelação do Teatro.

Eles competiram com um ator de teatro, com um grupo teatral e com uma diretora de teatro, mas mesmo assim ganharam numa categoria que não lhes cabe.

Há muito tenho enrolado para falar sobre teatro e “comédia em pé”. Para aqueles que desconhecem, é normal a confusão, já aqueles que convivem, que sabem como é, fico impressionado com isso ainda. Stand Up Comedy nada mais é do que uma pessoa, sem construir uma personagem, ironizando ou brincando com situações cotidianas que aconteceram com ela ou com alguém (próximo ou não), já teatro existe todo um processo de construção da personagem. O jeito dessa pessoa andar, como ela vai falar, com ela vai agir com os outros a sua volta, que sentimento demonstrar por outra personagem e a necessidade deste sentimento.

Não estou falando que fazer Stand Up Comedy seja fácil, pelo contrário. Acredito que exista todo um trabalho envolvido, mas é diferente do processo do ator numa peça teatral ou de um diretor de posicionar ou de como fazer a cena acontecer, coisa que não existe no Stand Up Comedy, já que é uma pessoa, em pé, vestida socialmente ou não, em frente a um microfone. Não existe a necessidade de projeção vocal, algo no qual um ator (ou atriz) precisa trabalhar constantemente.

A critica que faço não é ao trabalho dos envolvidos em Comédia a La Carte, mas sim do processo de seleção de concorrentes do Prêmio.

Se valer alguma coisa a opinião deste que vos escreve (e se a organização do prêmio chegar ler isso), recomendo que crie e desenvolva a categoria destinada ao Stand Up Comedy, que cresce a cada dia. Cheguei a receber um convite informal para fazer esse tipo de trabalho, mas eu não me sinto capacitado para tal. Prefiro construir uma personagem a falar com o público de “cara limpa”. Congratulo e elogio o trabalho deles, mas continuo a bater na tecla que os trabalhos são diferenciados, merecendo categorias diferenciadas.

Infelizmente nossa mídia impressa faz o mesmo tipo de confusão (chega a ser ridículo isso!), só torço e espero que o mesmo não aconteça a um prêmio que é dedicado ao artista cultural capixaba.

Sei que isso pode vir a causar balburdia e mesmo – talvez – ameaças que me foram feitas se concretizarem, mas acho que se deve fazer um aprofundamento melhor dos organizadores do Festival para saber o que é teatro e não esperar que conhecidos lhes digam o que é.

Prezo e acredito no Prêmio Omelete Marginal (sei que não parece!), mas sinceramente – volto a frisar – eles precisam rever os conceitos deles.

quarta-feira, 21 de outubro de 2009

Na coxia – Prêmio Omelete Marginal 2009

premio Eu pensei várias vezes no que colocaria na minha coluna que surgiu no site Intervenções Urbanas, que tinha grande ligação a revista virtual e site Omelete Marginal. Estava em dúvida se deveria falar ou não sobre Stand Up ser ou não teatro, já que gerou uma longa discussão ao decorrer das opiniões de quem deveria ou não concorrer ao Prêmio Omelete Marginal, que teve seu lançamento na terça-feira (20/10/2009), na Boate The One Club, na Praia do Canto. Eu estive lá, para ver de perto os escolhidos para as categorias de teatro, mas não consegui (quem manda ser baixinho!), então quando cheguei a conectar ao site e vi quem eram os escolhidos, eis que veio certa decepção, a maior delas é ver “Dinossauros… Ou Ainda é Hoje” indicado para três categorias: Melhor Ator,  Melhor Atriz e Melhor Diretor. Em palavras bem chulas e desprovidas de pudor: QUE MERDA!

panfleto_maio_1_b Uma direção simplória, com um ator que não sabe entonar sentimentos em cena e uma atriz… Tá, a atriz é a única coisa boa na peça, mas mesmo ela perde, pois atropela a risada do público, com medo de não dar tempo de contar sua história, que fica perdida, pois você não a ouve. A iluminação é mal utilizada, projetando sombra dos atores no cenário, o texto é seguido a risca… Calma, galera, a risca que eu digo é que não ouve modificações em falas que seriam necessárias serem alteradas, deixando a desejar. O ator está concorrendo contra outros do porte de Mauro Pinheiro, que está fantástico em “Rosas Brancas para Salomé”, não podendo nem comparar com a PÉSSIMA atuação do fraco ator de “Dinossauros… Ou Ainda é Hoje”. A atriz, uma velha conhecida dos palcos capixabas, não está mais possibilitada a concorrer com atrizes que simplesmente, além de atuar cantam em cena, como boulevard Nívia Carla, que foi uma das melhores escolhas do diretor Leandro Bacellar (concorrendo como Melhor Diretor e Melhor Ator) para a peça “Boulevard, 83” (que concorre merecidamente a Melhor Peça Teatral, mesmo com seus problemas de elenco). O diretor compete com pessoas do nível de Vírginia Jorge (Melhor Diretor), que apostou no talento da atriz Galpao 1 - Leonardo Merçon Fabiola Buzim (Melhor Atriz) no solo cênico “A Menina” (Melhor Peça Teatral) e Marcelo Ferreira que simplesmente está ótimo dirigindo e atuando em “Fahrenheit, 451”, que também compete em Melhor Peça Teatral.

Comparar “Dinossauros… Ou Ainda é Hoje” a todos estes, é simplesmente rebaixá-los, pois a peça é totalmente inferior a todos os outros que citei antes. Isso sem contar nossos concorrente interestaduais, como “Cárcere”, que surge como ator e diretor de fora do estado… Ah, mas o autor do livro é capixaba! PARA TUDO… o “AUTOR DO LIVRO” é capixaba, mas a adaptação e atuação são de São Paulo, então devemos considerar a peça de onde? O mesmo falo de “Auto da Defunta Nua”, com atriz capixaba, mas toda feita, planejada, dirigida e escrita em São Paulo, mal vindo para o estado, a não ser que tenha maiores interesses lucrativos. E eu que pensava que a intenção do Prêmio Omelete Marginal era premiar os melhores dentro do estado do Espírito Santo, mas parece que a idéia é premiar em âmbito nacional, então porque não abrir as outras categorias, também? Por que só teatro tem pessoas de fora? Tá, posso estar enganado, pois somente me “relaciono” com as pessoas do meio cênico-teatral, mas me sinto “estuprado” ao ver esquecerem de trabalhos que possam ser melhores valorizados e que simplesmente foram ignorados. Poderiam ter selecionado “Quatro Interpretes para Cinco Peças” ( Grupo Z “de Teatro” foi escolhido para Melhor Dança  (???)) ou mesmo “Rosas Brancas Para Salomé” ou então “Minha Sogra é de Matar” ou “Os Mendigos e o Pato do Imperador”, mas não. Eu gostaria de saber quem foram os que selecionaram estas pessoas para os prêmios ligados à teatro, pois se falarem que foram as imagem0002pessoas que escreveram dando opinião, estarão comentendo uma tremenda falta de respeito a todos, pois o diretor Wilson Nunes foi citado várias vezes como Melhor Diretor, mas nem ao menos chegou a fazer parte da lista.

Fico feliz de ver que, pelo menos, o Festival Nacional de Teatro “Cidade de Vitória” ainda está na categoria de Melhor Festival (não sei até quando, talvez até surgir algum “amigo” com um outro Festival que possa substitui-lo).

Uma outra sacanagem é colocar Os Mendigos - BannerRodrigo Pauoto somente como ator, sendo que ele dirigiu brilhantemente os atores em “Os Mendigos e o Pato do Imperador” (Parabéns à Trupe por estar com Revelação do Teatro). São estas injustiças que me deixam chateado, e olha que quando falavam que isso aconteceria, eu simplesmente preferi acreditar que o Prêmio Omelete Marginal levaria mais a sério o gosto do público, mas como em tudo, o que importa são as amizades e não o que é certo. Triste ver que lembraram de Otoniel Cibien, mas esqueceram de Fabiano Turbay (se for comparar em talento, Turbay tem muito mais do que Cibien) ou mesmo Diego Carneiro (também é melhor do que Cibien).

Mas existem coisas boas no meio de tanto caos. As revelações de teatro. Parabéns Allan Toni (que teve o nome escrito errado e a foto do ator Diego Carneiro colocada no lugar da sua), a diretora Nieve Matos (que teve a foto do musical “Boulevard, 83” no lugar da sua) e – apesar do meu xiitismo em não considerar Stand Up Comedy como teatro – Comedia a la Carte, no qual tive oportunidade de assistir e posso dizer que tem certa qualidade (não cênica)

Por que Allan Toni como revelação e não como Melhor Ator? Alguém lembra de algum trabalho anterior do ator nos palcos do Espírito Santo? Não vale em escolas, igrejas, quermesses ou coisas deste genêro. Ele é sim um ator revelação, que tem se saído bem no papel de Lee na peça-musical “Boulevard, 83”. Por que Nieve Matos como diretora revelação, ela ainda está dirigindo a peça “Peroás e Caramurus…”! Quem chegou a ir ver o 6º Festival de Esquetes do Espírito Santo, teve oportunidade de testemunhar seu trabalho como diretora, tanto que seu “conglomerado de atores” levou a maioria dos prêmios, dentre eles melhor direção e melhor esquete. Mas ainda senti falta de uma das grandes revelações do nosso teatro, um garoto que começou agora e tem tudo para se tornar um ótimo ator, Lipe Dal Col. Poucos o conhecem, porque ele está fazendo um infantil, ultimamente, “O Bello e as feras”, mas acredito que em breve a estrela deste menino brihará muito mais.

Bem, apesar das inúmeras injustiças, teve-se justiça, então PARABÉNS: Mauro Pinheiro – Melhor Ator, Nivia Carla – Melhor Atriz, Leandro Bacellar – Melhor Ator e Melhor Diretor, Fabiola Buzim – Melhor Atriz, Ednardo Pinheiro – Melhor Ator, Rodrigo Pauoto – Melhor Ator, Virginia Jorge – Melhor Diretora, Marcelo Ferreira – Melhor Diretor, Allan Toni e Nieve Matos – Revelação do Teatro. Apesar de serem injustiçados por competirem com uma peça que não deveria nem ser comparada a vocês, seja repesentada pelo ator, pela atriz e pelo diretor, ou mesmo por competirem com celebridades interestaduais, mostraram que o nosso teatro, o Teatro Capixaba ainda tem talento para dar e vender.

Em caso de querer ser justo e votar em algum destes acima citados, clique AQUI.

terça-feira, 11 de agosto de 2009

X Festival Nacional de Teatro de Guaçuí

Não chegou para mim nada sobre o Festival (não que não tenha ligado por próprio organizador e pedido material para divulgar), mas chegou ao Caderno Dois de A Gazeta.

Antes de colocar algo sobre o Festival, vou desabafar, pois sempre falei para todos que quisessem saber que a intenção do blog, é divulgar os trabalhos de todo o Espírito Santo. Fica difícil trabalhar sem um material, mesmo que seja pequeno. E olha que não é por falta de buscar, como o Festival em questão, por exemplo. No dia que soube que o Festival estava para iniciar as inscrições, liguei para o responsável pelo Festival (não preciso citar o nome, pois acredito que todos o conheçam) e informei para ele quem eu era e falei sobre o blog, sobre minha motivação de sua criação. Passei para ele o meu e-mail, para que informasse sobre a data das inscrições, até mesmo que me passasse o material adequado para que pudesse fazer uma boa divulgação online, acompanhando o Gazeta Online e os outros meios de divulgação virtuais, no qual o material foi passado. Ele até pareceu simpático e chegou a prometer o envio de tal material, mas (como podem supor!) nada! Até esta segunda-feira (10/08/2009), quando peguei o jornal A Gazeta e me deparei com o seguinte título: “Disputa no palco: Começa o festival nacional de teatro”. Juro que tomei um susto, mas quando abri o Caderno Dois, me deparei com a capa dedicada ao X Festival Nacional de Teatro de Guaçuí. É até uma boa matéria, feita pelo jornalista Marcelo Pereira, e ocupando a tão assediada primeira página do caderno de entretenimentos, mas outra coisa me chamou a atenção. Assim, um festival de dentro do Espírito Santo não deveria ter mais peças teatrais de dentro do estado? Bem, aparentemente somente quatro trabalhos de teatro capixaba se inscreveram, sem contar o trabalho convidado, que pertence ao organizador do festival (então, não é TÃO convidado assim!) e ganhou um prêmio no Festival de Teatro de Conselheiro Lafaiete, em Minas Gerais. A maioria das peças teatrais é do Rio de Janeiro, aparentando que, ou não houve muitos inscritos ou a organização deu preferência a trabalhos cariocas do que do próprio estado. Seria triste acreditar na segunda opção, não acham?

Bem, agora que já desabafei, o anuncio de que o X Festival Nacional de Teatro de Guaçuí começou nesta segunda-feira (10/08/2009) e vai até o sábado (15/08/2009). Durante o festival haverá apresentações de teatro de rua, infantis e adultos. O encerramento e a entrega dos prêmios acontecerá após a apresentação de “A Roupa do Imperador” do Grupo Gota, Pó Poeira, de Guaçuí-ES. A atriz do trabalho, Neuza de Souza, recebeu o prêmio de melhor atriz de teatro de rua no X FACE. Segue abaixo a programação (qualquer mudança, é de responsabilidade da organização do Festival):

Segunda-feira: 10/08/2009

· 20:00 – Abertura oficial no Teatro Municipal Fernando Torres.

· 20:15 – Apresentação da peça “Sala, Quarto, Cozinha, Banheiro” (Cia. Teatro Porão – RJ) , no Teatro Municipal Fernando Torres.

Terça-feira: 11/08/2009

· 14:00 – Peça infantil “João e Maria” (Grupo de 4 no Ato – RJ), no Teatro Municipal Fernando Torres.

· 16:00 – “Os Mentirosos” (Cia. Teatro Porão – RJ), na Praça da Igreja matriz São Miguel.

· 20:30 – “O Banquete para Medéia” (Cia. de Teatro Atores do Brasil – RJ), no Teatro Municipal Fernando Torres.

Quarta-feira: 12/08/2009

· 14:00 – Peça infantil “Era uma vez... Senhor Chapéu!” (Cia Teatro no Terraço - RJ) , no Teatro Municipal Fernando Torres.

· 16:00 – “O Circo Nheco Nheco” (Troupe Trotte - SP), na Praça da Igreja matriz São Miguel.

· 20:30 – “Os Mendigos e o Pato do Imperador” (Trupe Iá... Pocô! - ES), no Teatro Municipal Fernando Torres.

Quinta-feira: 13/08/2009

· 14:00 – Peça infantil “O Pássaro Azul” (Cia. Levante - SP), no Teatro Municipal Fernando Torres.

· 20:30 – “O Piolho, a Caolha, a Morte e as 4 irmãs que Não Deveriam Falar” (Grupo Cutucurim - RJ), no Teatro Municipal Fernando Torres.

· 22:00 – “Performance Artaudiana” (Arte e Existência - ES), no Salão dos Vicentinos.

Sexta-feira: 14/08/2009

· 14:00 – Peça infantil “Esperando Gordô” (Cia Lona de Retalhos - SP), no Teatro Municipal Fernando Torres.

· 16:00 – “A Farra do Benedito na Terra de João Redondo” (Cia de Teatro Arautos - ES), na Praça da Igreja matriz São Miguel.

· 20:30 – “Quando as Máquinas Param” (Cia. Escaramucha de Teatro - RJ), no Teatro Municipal Fernando Torres.

Sábado: 15/08/2009

· 10:00 – “O Espetáculo não Pode Parar” (Quintal do Circo - RJ), na Praça da Igreja matriz São Miguel.

· 14:00 – “Os Três Porquinhos” (Casa de Arte Campaneli, ES), no Teatro Municipal Fernando Torres.

· 16:00 – “A Cidade das Donzelas" (Troupp Pas D’Argent - RJ), na Praça da Igreja matriz São Miguel.

· 20:00 – Peça convidada "A Roupa Nova do Imperador" (Gota, Pó Poeira - ES), no Teatro Municipal Fernando Torres.

· 21:00 – Encerramento e entrega dos prêmios.

Oficina: Teatro Contemporâneo, com Ana Kfouri. De 11 a 14 de agosto, das 8h às 13h, no Salão dos Vicentinos.

Onde: Teatro Municipal Fernando Torres, Av. Francisco Lacerda de Aguiar, 141, Centro, Guaçuí.

Tel: (28) 3553-2826.

Capacidade: 260 lugares.

Ingressos: R$ 3, para as peças no teatro. Na praça, as apresentações são abertas ao público.

Informações Adicionais:

Teatro Municipal Fernando Torres - (28) 3553-2826

segunda-feira, 3 de agosto de 2009

Na Coxia, por André Luz

Novo_IU Assim, eu escrevo uma coluna no Intervenções Urbanas chamada Na Coxia, mas infelizmente ela anda desatualizada, pois vai ganhar uma nova cara, então na intenção de mantê-la firme e forte, começarei a publicar aqui no blog Teatro Capixaba o mesmo material que publico lá. São geralmente críticas ou opiniões pessoais que coloco. É uma forma de desabafar para as pessoas minhas decepcções com certos acontecimentos junto ao nosso cenário cênico teatral.

Sei que falei para muitos que não publicaria críticas e no máximo colocaria minha opinião quanto alguns trabalhos teatrais, mas como a falta de atualização vem acontecendo no site do Intervenções, achei que seria bom publicar aqui.

Lógico que assim que o site voltar, estarei atualizando minha coluna, mas até lá, espero que tenho para falar.

Bem, antes de o site sair fora do ar, eu iria falar sobre o espetáculo “Boulervard, 83”. Segue abaixo a matéria da coluna:

Um Musical em Vitória

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Este ano, como eu disse anteriormente, acontece o musical “Boulevard 83”. Mas por que falar especificamente deste musical? Bem, primeiramente, porque eu estive envolvido durante um curto período de tempo com o Grupo Teatro Empório e justamente com esta montagem. Tenho até de agradecer aos produtores e atores Leandro Bacellar (que também faz a vez de diretor) e Luana Eva pela oportunidade, mas precisei deixar de lado, pois outros compromissos estavam ocupando muito meu tempo, como meu blog e minha coluna no Entretendo.com (nada sobre teatro, mas sobre minha outra paixão, os quadrinhos) e segundo, porque é um verdadeiro musical.

Primeiro vamos à definição musical. (Adoro o Wikipédia!) De acordo com o site Wikipédia, “Teatro Musical é um estilo de teatro que combina música, canções, dança e diálogos falados. Esta delimitada por um lado pela sua co-relação com a ópera e por outro pelo cabaré(...)”, assim sendo podemos considerar “Sexo, Drogas e Rock’n’Roll” (ou melhor, “Sonho Dourado”, de Marcello Caridade e Marcelo Lino) como musical? Talvez sim ou talvez não. Se pensarmos no ponto de vista de musical, existe musica, existem canções, dança e diálogos, mas as canções são playbacks, ou melhor, os atores não a cantam de verdade, diferente do que será com “Boulevard 83”.

clip_image004O musical, escrito, dirigido e produzido por Leandro Bacellar, foi um sonho que se tornou realidade. Depois de enfrentar dois anos batalhando para levar o trabalho para o palco, o Grupo Teatro Empório conseguiu passar na Lei de Incentivo Cultural Vila Velha Cultura e Arte e após receber seus bônus, conseguiram trocá-los com empresas do município.

clip_image002[6]A pré-estréia foi em Vila Velha, no Teatro Marista, mas qual é a história desta peça teatral? Em resumo, os integrantes do Boulevard 83, uma casa de shows na cidade ficticia New Paris City, precisam realizar um espetáculo para salvar a casa de um mafioso poderoso. Num clima de Cabareth, que lembra à Paris boêmia de 1889 e o período da Grande Depressão, que atingiu os Estados Unidos em 1929, o espetáculo acontece com músicas tocadas ao vivo pela Banda BLVD83, regida pelo compositor, pianista e diretor musical Elenísio Rodrigues, e cantadas pelos atores que fazem parte do espetáculo. Os atores, passaram por intensos exercícios vocais com o cantor lírico Patrick Do Val, e Tadeu Schneirder produziu as coreografias. No elenco temos pessoas que já trabalharam em “Sexo, Drogas e Rock’n’Roll”, como Nívia Carla (Joe Jocker) e Diego Carneiro (Ruan Hernandez), outros que já realizaram trabalhos com Leandro Bacellar (Zac), como Dayanne Lopes (Marrie), Luana Eva (Lucy) e Danielle Pansini. Alguns estão desde o começo como Luciene Camargo (Terry), Ludmila Porto (Divine Lémitre), Werlesson Grassi, Stace Mayka (que fazem clowns, respectivamente) e Josimar Teixeira, e outros decidiram aceitar a empreitada mais recentemente como Allan Toni (William Lee), Kalina Aguiar (Jane), Marcos Luppi (Jam Montola) e Mell Nascimento. Os figurinos têm desenho de Samira Alcântara, a iluminação ficará por conta de Overlan Marques e Thiago Salles.

O que veremos então? Um musical! Não poderemos compará-lo aos musicais da Broadway ou qualquer outro musical europeu ou mesmo alguns nacionais, mesmo porque o diretor Leandro Bacellar garante que não é esta a intenção. “O Boulevard é uma grande subversão dos paradigmas do Teatro Musical, toda a peça é completamente off-Broadway, por isso é melhor não esperar enormes coreografias de passos marcados, mocinha chorona e uma produção com cenários apoteóticos.”, palavras do diretor.

Depois de sua pré-estréia, o espetáculo parte para Vitória, para o Teatro do Sesi, em Jardim da Penha. O que eu posso falar para esperarem? Um trabalho árduo, de um grupo que se manteve unido. Desejo-lhes “merd”! E que Díoniso os abençoe!