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quarta-feira, 27 de março de 2013

Na Coxia: Dia Mundial do Teatro


Hoje - 27/03/2013 - seria um dia em que o mundo todo deveria parar para comemorar, pois é o Dia Mundial do Teatro.
O mundo não pára, infelizmente, para comemorar uma das formas mais antigas de expressão cênica do mundo, mas nem por isso deixa de ser comemorada.
Como em todos os anos o International Theatre Institute (iTi), filiado a UNESCO, faz sua própria homenagem aos artistas teatrais. Além da mensagem em texto - que este ano é do escritor, dramaturgo e comediante italiano Dario Fo -, disponibilizou mensagens em vídeos de vários idiomas - pena que nenhum em português - que podem ser conferidos na página do World Theatre Day.
Quanto ao escritor deste ano, o dramaturgo italiano Dario Fo, ele nasceu em 1926, na cidade de San Giano, em Varese, na Itália.
Nascido em uma família de tradição antifascita, Dario Fo ingressou em 1940 na Academia de Belas Artes de Brera, em Milão. Após a guerra, começou a estudar a arquitetura no Instituto Politécnico, mas teve de desistir quando estava prestes a se formar. Afinal, fora convocado pelo exército da República de Saló, quando os facistas de Mussolini tentaram retomar o controle da Itália. Conseguiu escapar, porém, teve de ficar escondido por meses em um sótão.
Ao fim da guerra, Dario retornou a seus estudos na Academia de Brera e no Instituto Politécnico, mas depois abandonaria seus trabalho e estudos, repugnado pelo corrupção existente no setor das edificações.
Para manter Dario e seus irmãos Fúlvio e Bianca na faculdade, sua mãe Pina Rota costurava camisas. "Quando penso naquele período entre 44 e 45 me parece incrível ter vivido tantas histórias, todas condensadas num espaço de tempo tão breve. Situações grotescas, trágicas, freqüentemente vividas como se eu estivesse dentro de um pesadelo", escreveria Fo em "Il paese dei Mezaràt", em 2002.
Dario trabalhou em projetos de palcos e decoração teatral entre 1945 e 1951, porém, já começava a improvisar monológos. Participou de um momento de renovação do teatro italiano, com o fenômeno do novo teatri do piccoli (teatros pequenos) em que foi desenvolvida uma linguagem popular para as peças.
No verão de 1950, Dario apresentou a Franco Parenti uma parábola de Caim e Abel. Na sátira, Caim é um tolo que tenta imitar Abel, loiro e de olhos azuis. Após sofrer um desastre após outro, ele fica louco e mata o esplêndido Abel. Impressionado, Parenti convida Fo para se juntar a sua companhia de teatro.
Dario Fo se apresentava ao lado da mulher, Franca Rame, atriz de uma tradicional linhagem da Commedia dell'arte. Na Itália, apesar do sucesso em sua carreira pessoal, ela ainda é lembrada como filha de Domenico Rame. "Franca nasceu no teatro de 400 anos atrás", diz Fo. "Essa mulher tem pelo menos 400 anos de vida no teatro, talvez 500" - emenda. Ambos exploravam o potencial cômico dos erros no palco como parte da tradição medieval e renascentista dos artistas viajantes.
O alvo mais polêmico das sátiras de Fo é a burocracia da Igreja Católica. Para o jornal oficial do Vaticano, 'Mistério Bufo', peça de 1969, televisionada em 1977, é "o programa mais blasfemo jamais levado ao ar na história da televisão mundial". A comédia era baseada no grammelot, uma língua inventada por Fo baseada na mistura de fonemas modernos e dialetos em desuso da região padana, ao Norte da península Itálica.
Reapresentada por Fo e Franca Rame ao longo dos anos em diversos palcos, como em Moscou e Amsterdã em 1991, a sátira ainda faz sucesso. O autor recebeu o Premio Nobel de Literatura em 9 de outubro de 1997. No ano seguinte, o Ministério da Cultura da França concedeu a Fo a Comenda das Artes e das Letras. Em maio de 2000 recebeu, naquele país, três prêmios Molière por sua peça 'Morte acidental de um anarquista'.
Em dezembro de 2003 estreou sua ópera satírica "O anômalo bicéfalo", sobre Silvio Berlusconi, então chefe do governo italiano e presidente do conselho da União Européia. Em março de 2005, aos 79 anos, Dario Fo recebeu da Universidade Sorbonne, Paris, o título de laurea honoris causa.
Abaixo a mengagem de Dario Fo aos artistas teatrais:
"Há uns anos atrás, o PODER, no máximo da sua intolerância, escorraçou osartistas dos seus países. Hoje em dia, os atores e as companhias sofrem com a dificuldade de encontrar espaços, teatros e público; tudo por conta da crise.
Os governantes já não se preocupam em controlar quem os cita com ironia e sarcasmo, uma vez que os atores não têm espaços nem publico que os veja.
Contrariamente ao que acontece hoje, no período da Renascença em Itália, os governantes tiveram enormes dificuldades em controlar os atores e comediantes que conseguiam mobilizar a sociedade para assistirem aos seus espetáculos.
É sabido que o grande êxodo dos comediantes aconteceu no século da Contra-Reforma, quando foi decretado o desmantelamento de todos os espaços teatrais, especialmente em Roma, por serem acusados de desrespeito à cidade santa. O Papa Inocêncio XII, pressionado pela ala mais conservadora da burguesia e dos altos representantes do clero, ordenou em 1697 o encerramento do Teatro de Tordinona por se considerar que, neste local, diziam os mais moralistas, se faziam espetáculos considerados obscenos. Na época da Contra-Reforma, o Cardeal Charles Borromée, no norte de Itália, divulgou a consagração da redenção das “crianças milanesas” estabelecendo uma clara distinção dos nascidos na arte, como expressão máxima de educação espiritual, e o teatro, manifestação de profanação e leviandade. Numa carta endereçada aos seus colaboradores, que cito de memória, o Cardeal Charles Borromée exprime-se mais ou menos nos seguintes termos: “Nós que estamos empenhados em exterminar a planta maligna, tentaremos, lançando fogo aos textos e discursos infames, fazer com que estes se apaguem da memória dos homens, do mesmo modo que perseguiremos todos aqueles que teimem em divulgar os textos impressos. Sabemos que, enquanto nós dormirmos, o diabo estará atento, com atenção redobrada. Então, o que será mais premente, o que os olhos vêem ou o que se pode ler nos livros? O que será mais devastador para as mentes dos adolescentes e crianças, a palavra proferida com gestos apropriados, ou a palavra morta, impressa nos livros? É urgente expulsar das nossas cidades as gentes do teatro, tal como já fizemos com os espíritos indesejáveis”.
Logo, a única solução para a crise reside na esperança de uma grande caça às bruxas que estão contra nós, e sobretudo contra os jovens que querem aprender a arte do Teatro: só assim nascerá uma nova geração de comediantes que aproveitará desta nossa experiência e dela tirará benefícios inimagináveis na procura de novas formas de representação".

27 de Março de 2013

Tradução:
Margarida Saraiva
Escola Superior de Teatro e Cinema

O Coordenador de teatro da Escola Técnica Municipal de Teatro, Dança e Música Fafi, Wilson Coelho, também disponibilizou no Facebook uma mensagem do escritor, roteirista, dramaturgo e cineasta paulista Fernando Bonassi, que eu coloco aqui para vocês:

NÓS FAZEMOS TEATRO
Fernando Bonassi


Contra a ignorância, o terror, a falta de educação, a propaganda de promessas, o conforto moral, a ordem acima do progresso, a fome, a falta de dentes, a falta de amores, o obscurantismo... nós fazemos teatro.
Fazemos teatro pra dar sentido às potencialidades, pra ocupar o tempo, pra desatolar o coração, pra provocar instintos, pra fertilizar razões, por uns trocados, por uma boa bisca, porque é fundamental e porque é inútil.
Pra subir na vida, pra cair de quatro, pra se enganar e se conhecer... contra a experiência insatisfatória; contra a natureza, se for o caso, nós fazemos teatro. Fazemos teatro pra não nos tornarmos ainda pior do que somos.
Pra julgar publicamente os grandes massacres do espírito. Pra viabilizar a esperança humana, essa serpente...
Nós fazemos teatro de manhã, de tarde e de noite. Nós somos uma convivência de emoções, 24 horas distribuindo máscaras e raízes.
Nós fazemos teatro de tudo, o tempo todo, porque acreditamos que a vida pode ser tão expressiva quanto a obra e que devemos ter a chance de concebe-la e forni-la artisticamente. Porque estamos acordados. Porque sonhamos os nossos pesadelos.
Nós fazemos teatro apesar daqueles que, por um motivo que só pode ser estúpido, estejam “contra” o teatro.
Aliás, o que pode ser “contra” algo tão “a favor”? Nós fazemos teatro contra a mediocrização do pensamento; a desigualdade entre os iguais e a igualdade dos diferentes.
Nós fazemos teatro contra os privilégios dos assassinos de gravata, batina, jaqueta, toga,
minissaia, vestido longo, farda, camiseta regata ou avental.
Contra a uniformidade, nós fazemos teatro. Nós fazemos teatro contra o mau teatro que querem
fazer da realidade.
Nós fazemos teatro pra explicarmo-nos – ainda que mal – e ao mal de todos nós dar algum destino menos infeliz. Nós fazemos teatro pra morrer de rir e pra morrer melhor.
Pra entender o inestimável, se esfregar no infalível, resvalar na nobreza, experimentar as mais sórdidas baixezas, pra brincar de Deus...
Nós fazemos teatro, comendo o pão que os Diabos amassam, os pratos feitos que as produções financiam e os jantares que as permutas permitem. Nós temos fome da fome do teatro. Porque onde houve e há teatro, houve e há civilização.
Fazemos teatro sim, tem gente que não faz e está morrendo, essa é que é a verdade.


FELIZ DIA DO TEATRO PARA TODOS!!!

Fontes:

http://educacao.uol.com.br/biografias/dario-fo.jhtm
http://www.world-theatre-day.org/en/picts/WTD_Fo_2013_portugal.pdf

terça-feira, 27 de março de 2012

Dia Mundial do Teatro

selo_dia_mundial_teatroHoje o teatro comemora, como todos os anos, o seu dia. O mundo inteiro celebra e festeja a existência das artes cênico-teatrais.

O teatro se tornou teatro somente quando os atenienses começaram a fazer encenações dramáticas dos mitos que faziam parte do seu cotidiano. Artistas como Sófocles, Ésquilo, Eurípedes e Eurífanes, foram os predecessores do teatro dramático e cômico. Mas depois deles o teatro somente cresceu no gosto popular, se tornando muitas vezes um tipo de entertenimento que as pessoas poderiam fazer qualquer tipo de trabalho. Na Período Medieval, o teatro fora usado para encenações de textos bíblicos, como autos, que promoviam a crença no Cristo .

Artistas dos mais diversificados, que geralmente eram chamados de mabembes, viajavam por quase toda a Europa, promovendo verdadeiros espetáculos cênicos. Alguns dos expoentes do teatro mundial foram William Shakespeare, Molière, Alexandre Dumas, Henry Irving, Bertold Bretch, Constantin Stanislavski, Maximo Gorki, Frederico Garcia Lorca, entre tantos outros, mas o Brasil não ficou atrás.

Nos primórdios da colonização portuguesa no território que viria a se tornar o nosso país, o padre José de Anchieta descobriu através das artes cênicas a capacidade de “catequizar” os nativos que já viviam aqui, sendo assim, na região de Rerigtiba (hoje conhecida como Anchieta), o jesuíta encenou “Na Festa de São Lourenço”, entre tantos outros. Outros grandes ícones do teatro brasileiro foram  - e ainda são - Martins Pena, Nelson Rodrigues, Plínio Marcos, Augusto Boal, Chico Buarque de Hollanda, entre vários outros, cada um em seu tempo, fizeram o teatro brasileiro parte do cenário mundial.

Hoje (27/03/2012) comemoramos os trabalhos de todos os artista citados acima e muitos outros, entre atores, atrizes, produtores, diretores, e todos os envolvidos em levar as artes cênico-teatrais aos palcos do mundo e do Brasil.

Lógico que este dia não passou despercebido, pois aqui em Vitória, capital do Espírito Santo, por exemplo, a Escola de Teatro, Dança e Música Fafi teve um cortejo que iniciou na Praça Costa Pereira e foi até a area externa da escola, aonde aconteceram manifestações, e depois, as 20h30, teve o ensaio aberto do novo trabalho da Cia Makuamba, “Escurial”, de Michel Ghelderode.

itiMas como todos os anos, a International Theatre Institute (ITI) convidou um artista conhecido mundialmente para discenir algumas palavras sobre este dia, e a bola da vez é do ator estadunidense John Malkovich.

John Malkovich é ator, produtor, argumentista e realizador estadunidensde, mas primeiro que tudo,  ele é um homem do teatro.

Nos anos de 1970, John Malkovich iniciou seus estudos de teatro na Illinois State University. Logo depois de se formar, ele fundou junto com Terry Kinney, Jeff Perry e Gary Sinise, em 1976, a famosa Steppenwolf Theater Company.

Dos trabalhos de Malkovich no cinema, podemos destacar Império do Sol (1987), Ligações Perigosas (1988), Ratos e Homens (1992), O Segredo de Mary Reilly (1996), Cartas na Mesa (1998) e O Retorno do Talentoso Ripley (2002), dentre vários outros filmes da carreira deste ator, cuja performance foi homenageada de forma única em Quero Ser John Malkovich (1999).

Abaixo segue a mensagem de John Malkovich, traduzida pelo Sindicato dos Trabalhadores de Espectáculos (STE), para o ITI no Dia Mundial do Teatro. MERDA para todos!

MENSAGEM DO DIA MUNDIAL DO TEATRO 2012
De: JOHN MALKOVICH

john_malkovichFico honrado por o ITI - Instituto Internacional do Teatro me ter pedido para fazer este discurso comemorativo do 50º aniversário do Dia Mundial do Teatro. Vou então dirigir estes breves comentários aos meus companheiros de teatro, meus pares e meus camaradas.
Que o vosso trabalho possa ser apaixonante e original. Que ele possa ser profundo, comovente, contemplativo, e único. Que ele nos ajude a reflectir sobre a questão do que significa ser humano, e que esta reflexão seja guiada pelo coração, sinceridade, candura, e charme. Que consigam ultrapassar a adversidade, a censura, a pobreza e o niilismo, que muitos de entre vós serão obrigados a enfrentar. Que sejam abençoados com o talento e rigor para nos ensinar sobre o batimento do coração humano, em toda a sua complexidade, e com a humildade e curiosidade que faça disto o trabalho da vossa vida. E que o melhor de vós próprios - porque só poderá ser o melhor de vós próprios , e mesmo assim apenas em raros e breves momentos – consiga definir a mais fundamental questão “como vivemos nós?”
Desejo sinceramente que o consigam.

domingo, 27 de março de 2011

Dia mundial do teatro e dia nacional do circo: Último ato

dia-do-teatro Hoje (27/03/2011) é comemorado o Dia Mundial do Teatro e o Dia Nacional do Circo. Comemorações das mais diversas acontecem no mundo inteiro e são celebradas das mais diversas formas.

iTi Como todos os anos, o International Theatre Institute (ITI), instituto criado em 1948 no primeiro Congresso Mundial da UNESCO, em Praga, na intenção de unir as grandes mentes do teatro mundial, publicou uma mensagem no site World Theatre Day da atriz, diretora, dramaturga e acadêmica em teatro, a Dra. Jessica A. Kaahwa (Ph.D), de Unganda. A mensagem ainda não foi traduzida para o português, então tomei a liberdade de usar o Google Tradutor para fazer uma tradução do espanhol:

Um discurso sobre o teatro como serviço à humanidade

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Jessica A. Kaahwa, Unganda

A celebração de hoje é um verdadeiro reflexo do imenso potencial do teatro para mobilizar as comunidades e construir pontes.
Alguma vez pensou-se que o teatro poderia ser uma poderosa ferramenta para a paz e a reconciliação? Enquanto as nações gastam enormes somas de dinheiro em missões de paz em zonas de conflito em todo o mundo, há muito pouca atenção para o teatro como uma alternativa para a gestão personalizada e transformação de conflitos. Como podem os cidadãos da Mãe Terra alcançar a paz universal se os instrumentos são utilizados de poderes externos e, aparentemente, repressiva?
O teatro sutilmente impregna a alma humana apreendidos pelo medo e pela desconfiança, alterando a sua própria imagem e abrindo um mundo de alternativas para o indivíduo e, portanto, para a comunidade. Ele pode dar sentido à realidade cotidiana, evitando um futuro incerto. Você pode participar de questões de política social de uma forma simples e direta. Para ser inclusiva, o teatro pode ter experiências capazes de transcender a concepções pré-concebidas.
Além disso, o teatro é uma forma comprovada de progresso e defesa das idéias que temos e por que estamos dispostos a lutar quando há respeito, coletivamente.
Para antecipar um futuro de paz, devemos começar a usar meios pacíficos para procurar compreender, respeitar e reconhecer as contribuições de cada ser humano na tarefa desta pesquisa para a paz. O teatro é a linguagem universal através da qual podemos promover mensagens de paz e reconciliação.
Permitindo que cada participante ativamente engajados, o teatro pode fazer muitas pessoas desconstruirem idéias preconcebidas e, portanto, oferece ao indivíduo a oportunidade de renascer para tomar decisões baseadas no conhecimento e fatos redescobertos. Para o teatro prosperar, entre outras formas de arte, devemos dar um passo decisivo para a frente através da sua incorporação na vida cotidiana, abordando questões críticas de conflito e de paz.
Em sua busca para as comunidades de transformação social e de reforma, o teatro em áreas já devastadas pela guerra e entre as populações em situação de pobreza ou doença crónica. Há um número crescente de histórias em que o teatro tem sido capaz de mobilizar o público para promover a conscientização e assistência às vítimas de traumas pós-guerra. plataformas culturais como o "International Theatre Institute" que visa "reforçar a paz ea amizade entre os povos" já estão em andamento.
É, portanto, uma farsa manter a calma em momentos como esse, sabendo do poder do teatro, e permitir que empunhando armas e jogando bombas de ser pacificadores em nosso mundo. Como essas ferramentas de alienação também ser instrumentos de paz e reconciliação?
Exorto-vos, neste Dia Mundial do Teatro, para refletir sobre a possibilidade de propor para o teatro como uma ferramenta universal para a transformação do diálogo social e da reforma. Enquanto as Nações Unidas gastam enormes quantias de dinheiro em missões de paz ao redor do mundo através do uso de armas, um teatro alternativo é espontâneo, humano, menos caro e muito mais poderoso.
Embora possa não ser a única resposta para a paz, o teatro deve certamente ser incorporado como uma ferramenta eficaz em missões de paz.

As palavras da dramaturga são profundas e atestam o quão desvalorizado a arte do palco é. Mas a falta de valor não é somente para a arte, mas também para as casas aonde são apresentadas essas formas cênicas de interpretação da vida. No dia 17/03/2011 (quinta-feira), site de notícias Século Diário publicou uma matéria maravilhosa sobre as condições em que se encontra a arte do Espírito Santo, principalmente na capital do estado. Segue abaixo o material, escrito por Rafael Abreu:

Último ato

Rafael Abreu

Gobbi Em questão de cultura, é difícil manter o velho papo de que Vitória não produz muito. A movimentação recente de lançamento de discos - Poemas Brasileiros, de Wanderson Lopez e CMDO Guatemala, de Fê Paschoal - realização de exposições - Edital 11 que será aberta na próxima terça-feira (22) no Museu de Arte do Espírito Santo, e reúne obras de artistas capixabas - eventos de performance - o _TRAMPOLIM, que chega a seu fim essa semana - não mentem: há muita coisa sendo feita no estado. Com a ajuda de vários mecanismos de âmbito estadual ou municipal, que contemplam áreas tão distintas quanto a de histórias em quadrinhos e a produção de discos, o poder público tem se mostrado disposto, até certo ponto, a financiar o crescimento artístico da capital.
Se a produção ostenta saúde, há um descompasso entre o que se faz e o que é passível de ser visto. A própria realização de um debate, por parte do Conselho Municipal de Política Cultural de Vitória, na última terça-feira (15), acerca dos espaços culturais da cidade contempla, ainda que tardiamente, esse problema. A maior pergunta, diante de todo o material que está sendo desenvolvido, é: para onde ele vai?
Essa parece ser a pergunta de José Luiz Gobbi (foto), ator e diretor teatral, diante da situação lamentável em que sua área de trabalho se encontra. Muito se fala sobre o enorme projeto do Cais das Artes, mas a preocupação da classe artística local que trabalha com produção e direção teatral é com estabelecimentos menores. Como o Teatro Edith Bulhões, demolido em 2010, o Teatro Galpão, fechado no fim do ano, e o Teatro Carmélia, igualmente inativo. “Eu diria que as nossas políticas culturais em geral, salvo alguns municípios do interior, estão traçando a política cultural para Rio e São Paulo - para trazer grandes exposições, grandes espetáculos. Acho que interessa aos poderes públicos a morte do artista local”. O Cais das Artes, cujos custos estão orçados em R$ 115 milhões, então, se encaixa nessa lógica de atrofiamento de espaços que, menores e mais condizentes com o público da cidade, dariam oportunidade não só a produções de menor porte, mas a um público com menor poder econômico.
É pensando nesse tipo de público e numa lógica que faz do espaço de apresentação uma espécie de laboratório para experimentações, além da formação de público e de linhas de pesquisa, que a Cia. Folgazões e a Repertório Artes Cênicas inauguraram, em outubro, o Espaço Coletivo. Localizado no Centro de Vitória e munido de 60 assentos, o Coletivo é o tipo de lugar que a maioria dos diretores entrevistados para essa matéria desejam.
Um dos “problemas” indicados no valor redentor que parece ter sido criada em torno do Cais das Artes parece é o próprio fato de que, com um orçamento de seu porte, não só a cidade, mas a produção da capital teria muito mais a ganhar. “O cais das artes coloca Vitória no cenário dos grandes caça-níqueis: megaespetáculos caros e de gosto duvidoso. É muita grana para isso. Uma política de apoio à criação de espaços alternativos para os grupos, sedes-teatro, seria muito mais interessante”, explica Saulo Ribeiro, dramaturgo que ajudou a criar o Espaço Coletivo. “A gente optou por criar um espaço próprio pra ter a oportunidade de fazer temporada de teatro. Quando você faz um mês todo de espetáculo, o próprio marketing boca a boca vai levar aquilo pra todos os dias.”
A noção de temporada, no que diz respeito ao desenvolvimento de uma cena teatral local, é um conceito determinante nesse debate. É através da temporada que se firma o público e se aperfeiçoa a própria arte: afinal, cada noite no palco é um lição aprendida. “Nenhum grupo local consegue sustentar um Sesi por muito tempo, só a bilheteria sabemos que não sustenta aqui. Sem o contato constante com o público, o ‘fazer’ acaba acarretando na qualidade do espetáculo. Fica difícil ganhar ritmo de palco, por exemplo, sem a prática”, explica Nieve Matos, diretora de teatro e professora da Fafi.

É por isso que a política de editais realizada pelo Teatro Carlos Gomes, o último dos moicanos quando se trata de teatros públicos e em atividade, se mostra insuficiente à demanda local. Realizada semestralmente, a abertura dos editais prevê, no máximo, um ou dois finais de semana para determinado espetáculo. Um arranjo bastante conveniente para as grandes produções nacionais que, num itinerário que cobre muitas outras cidades no país, não vê problema em encher a casa por dois ou três dias. Um final de semana, no entanto, não é o suficiente para que uma montagem local lote a casa e atenda a grande parte da população.

“Não há por que ser artista em Vitória”, conclui Gobbi. Não enquanto isso for uma espécie de segredo para a população, que não tem as devidas oportunidades de ver o tanto que a cultura da cidade tem a oferecer.

Fonte: http://www.seculodiario.com.br/exibir_not_atracao.asp?id=5560

Feliz dia mundial do Teatro e dia nacional do Circo para todos!

sábado, 27 de março de 2010

Dia Mundial do Teatro e Dia Nacional do Circo

ars_cenicaPara mim, hoje (27/03/2010) é um dos dias mais importantes do ano, pois comemorasse o Dia Mundial do Teatro.

Estabelecido pelo International Theatre Institute (ITI) a partir de 1961, é neste dia do ano que todos comemoram “quando o homem decidiu interpretar a vida”.

Palcos, praças e espaços alternativos do mundo inteiro comemoram esta data interpretando peças teatrais e eventos ligados ao teatro. Mas vale lembrar que, aqui no Brasil não é somente o Teatro que é celebrado nesta data, mas o circo também.

marca FAFI A Escola de Teatro e Dança FAFI começa a programação de hoje as 16:00, com vários grupos teatrais ajudando-a nesta comemoração. Haverá mobilizações, cortejo, debates e apresentações de performances, tanto circenses quanto teatrais.

Como eu gosto de comemorar este ano, eu entrei no site do World Theatre Day, criado pelo ITI para este maravilhoso dia, e recolhi lá a mensagem deste ano que é da atriz Judi Dench.

judi-dench A atriz Judi Dench nasceu em North Yorkshire, assim sendo, é uma atriz britânica. Já ganhou muitos prêmios por suas atuações em teatro. Em sua terra natal, Judi construiu uma boa reputação, de uma das melhores atrizes da história pós-Segunda Guerra Mundial, principalmente por seu trabalho no teatro, seu maior forte em toda sua carreira.

Quando tinha treze anos, -hoje - Dame Judith Olivia Dench, entrou para a The Mount School, em York. Recebeu seu treinamento profissional no Central School of Speech and Drama em Londres, e estreou como Ophelia em Hamlet em Liverpool, em 1957. Depois, foi aparecer em várias temporadas em Oxford e Nottingham. Em 1961, entrou para a Royal Shakespeare Company e fez muitas aparições em Stratford e Londres ao longo das próximas duas décadas, ganhando vários prêmios de melhor atriz.

Judi também fez várias aparições no teatro West End e no National Theatre, ambos em Londres. Já ganhou seis prêmios Laurence Olivier. Apareceu na Broadway, também, em Amy's Room. Hoje, é patronesse da Friends' School Saffron Walden.

Chegando aos setenta anos, Judi continua a grande jóia do teatro de Londres. É várias vezes comparada e contrastada com Maggie Smith, outra grande atriz britânica da mesma geração, com quem ela apareceu em vários filmes e no palco com Breath of Life, de David Hare. Dentre seus papéis no cinema, ela interpretou no filme Shakespeare Apaixonado, a rainha Elizabeth I, conhecida pelo seu enorme apoio à arte cênico-teatral.

Logicamente que o texto foi escrito em inglês, mas graças a Ana Maria Teles podemos lê-lo em português. Segue abaixo:

MENSAGEM DE DAME JUDI DENCH

DIA MUNDIAL DO TEATRO 27/03

“A Jornada Mundial do Teatro é para nós a ocasião de celebrar o Teatro na multiplicidade de suas formas. Fonte de divertimento e inspiração, o teatro contém em si a capacidade de unificar as inúmeras populações e culturas que existem pelo mundo afora. Mas ele representa muito mais do que isso, ao oferecer-nos possibilidades de educação e informação.

O teatro acontece no mundo inteiro, e não apenas nos seus espaços tradicionais :

os espetáculos podem ser realizados numa pequena aldeia da África, no sopé de uma montanha da Armênia, em uma pequena ilha do Pacífico. Ele não tem

necessidade de um espaço e de um público. O teatro possui esse dom de nos fazer rir, de nos fazer chorar, mas ele deve, também, fazer-nos refletir e reagir.

O teatro é fruto de um trabalho de equipe. São os atores que vemos, mas existe um número espantoso de pessoas escondidas, todas elas tão importantes quanto os primeiros e cujas diferentes e específicas competências permitem a realização do espetáculo. A eles se deve uma parte de todo o triunfo ou sucesso alcançado.

O dia 27 de março é a data oficial da Jornada Mundial do Teatro. Mas cada dia

deveria poder ser considerado, de diversas maneiras, como uma jornada do teatro, pois cabe-nos a responsabilidade de perpetuar esta tradição de divertimento, de educação e de edificação dos públicos, sem os quais não poderíamos existir.”

Ana Maria Telles

19/03/2010

Fontes:

International Theatre Institute

World Theatre Day

Wikipedia

quinta-feira, 25 de março de 2010

Dia Mundial do Teatro na Escola de Teatro e Dança FAFI

ator em palco Faltam dois dias para o Dia Munidal do Teatro e Dia Nacional do Circo. Considerado, por mim, o dia mais importante do ano, pois uma gama de eventos acontecem no mundo inteiro e no Brasil.

Como gosto de concentrar minhas atenções no Espírito Santo, tento, todo ano, disponibilizar a programação planejada para comemoração do dia e, aparentemente, neste ano não será diferente.

marca FAFI A Escola de Teatro e Dança FAFI prepara uma grande programação. Unindo-se a alguns dos grupos de teatro da capital, a FAFI deseja comemorar em grande estilo. Abaixo segue o material enviado a mim pelo ator, diretor e professor da FAFI, Leonardo Patrocínio, e pelo coordenador de Teatro da FAFI, o Sr. Wilson Coêlho (obrigado a ambos!):

A Escola de Teatro e Dança FAFI, em parceria com os Grupos Z de Teatro, Beta de Teatro, Tarahumaras, Repertório Artes Cênicas, Folgazões, Viralatas, Boiacá, H B Produções, Sérgio Torrente Produções, Leda Barreto, Edgard Barbosa, Ari Roas, Everaldo Nascimento e outros artistas e técnicos realizam no próximo sábado (27 de março) evento em comemoração ao Dia Mundial do Teatro e Dia Nacional do Circo, com uma programação que consiste em encontro na Praça Costa Pereira, em frente ao Teatro Carlos Gomes, seguido de cortejo pela Rua Sete de Setembro, mesa redonda no Laboratório da Escola de Teatro e Dança FAFI e manifestações gerais na Praça Pedro Caetano (também na FAFI).

ENTRADA   FRANCA

Maiores informações: Secretaria de Eventos 3381.6922 - 3381.6921 - 9938.9794 (Wilson Coêlho)

Participantes (grupos, artistas e técnicos) confirmados:

Grupo Z

Repertório Artes Cênicas

Grupo Beta

Tarahumaras

Folgazões

Viralatas

H B Produções

Boiacá

Sérgio Torrente Produções

Leda Barreto

Edgard Barbosa

Ari Roas

Everaldo Nascimento

OBS.: Há abertura para outras participações

Programação

16:00 horas – Mobilização na Praça Costa Pereira (em frente ao Teatro Carlos Gomes)

16:30 horas – Cortejo dos grupos e interessados pela Rua Sete de Setembro.

17:00 horas – Mesa Redonda – Teatro Grego – Uma cena entre Titãs – com Ioannis Andonios Zavoudakis e Fernando Marques, no Laboratório da Escola de Teatro e Dança FAFI

18:00 – Palco Aberto com performances, esquetes e recitais na Praça Pedro Caetano, na Escola de Teatro e Dança FAFI

21:00 – Encerramento.

DIA MUNDIAL DO TEATRO

iTi No dia 27 de março é comemorado o dia Mundial do Teatro. Em 1961, o Instituto Internacional de Teatro da Unesco (órgão das Nações Unidas voltada à educação, à ciência e á cultura) resolveu criar um dia exclusivo às atividades culturais, durante o IX Congresso Mundial, em Viena.

A festa de comemoração para essa data tão importante foi inaugurada no Teatro das Nações, em Paris, França. Com isso a ONU (Organização das Nações Unidas), envia mensagens, valorizando a importância da arte teatral aos países membros da Organização.

DIA NACIONAL DO CIRCO

O circo moderno surgiu na Inglaterra. O oficial Philip Astley, da Cavalaria Britânica, inaugurou o Astley's Amphitheatre em 1770, o qual apresentou a estrutura que os circos utilizam até hoje, com um picadeiro central e uma arquibancada. A principal atração era um espetáculo com cavalos, mas Astley logo contratou saltimbancos, malabaristas e palhaços. O apresentador do show era o próprio Astley, surgindo então a figura do mestre-de-cerimônias.

No Brasil, os circos apresentavam uma estrutura teatral. Sua introdução deve-se às famílias ciganas que, com suas tendas, atraíam espectadores para suas apresentações. O espetáculo do circo-teatro era dividido em duas partes. A primeira era tradicional, com malabaristas e mágicos. A segunda introduzia o teatro, apresentando peças, em sua maioria cômicas. Esse estilo de circo predominou durante quase um século, colocando os brasileiros em contato com as artes cênicas.

O picadeiro ficou conhecido como o berço do teatro brasileiro. O maior expoente desse teatro cômico que começava a dar os seus primeiros passos foi o palhaço Piolin. Seu nome era Abelardo Pinto; nasceu em Ribeirão Preto, São Paulo, em 27 de março de 1897. O Dia Nacional do Circo foi instituído em sua homenagem, devido a seu trabalho pioneiro na introdução do circo e das artes cênicas.

Dia 27 de Março comemora-se o Dia Mundial do Teatro. Eis abaixo a sugestão de duas obras sobre o Teatro na Antiguidade, bem como três peças de autores clássicos, que Edições 70 tem publicadas na sua Colecção Clássicos Gregos e Latinos.

O Teatro Antigo

Pierre Grimal

PierreGrimal O teatro antigo foi o que nasceu e se desenvolveu dentro das duas grandes civilizações antigas, a da Grécia e a de Roma, causa e origem da nossa própria civilização. Mas este teatro não pertence só ao passado; a sua história interessa a toda a cultura ocidental, sobre a qual exerceu uma influência muito importante e, em certos momentos, determinante. O teatro antigo é um complexo fenómeno literário e humano. A sua vida estende-se por um período muito longo, pois a primeira tragédia que sabemos ter sido representada situa-se sob a tirania de Pisístrato, em Atenas, cerca de 534 a. C., e pode considerar-se que as últimas obras dramáticas por nós conhecidas são as trágédias de Séneca, escritas, sem dúvida, entre 45 e 60 depois de Cristo, mais ano menos ano. Por conseguinte, uma vida de cerca de seis séculos. Por outro lado, não devemos esquecer que este teatro se desenvolveu em duas sociedades muito diferentes – na Grécia sobretudo, em Atenas, e depois em Roma.

PIERRE GRIMAL nasceu em Paris em 1912 e faleceu em 1996. Foi um reputado classicista francês, com grande número de livros publicados.

A Tragédia Grega

Jacqueline de Romilly

Romilly A invenção da tragédia é um feito notável e pertence aos Gregos. É fascinante o sucesso que este género conheceu. De facto, vinte e cinco séculos depois, ainda se escrevem tragédias e se vai buscar aos Gregos os temas e as personagens. Nesta obra, a classicista Jacqueline Romilly fala-nos das origens do género, dos intervenientes e da forma como a representação clássica estava estruturada, abordando depois as principais peças dos três grandes tragediógrafos gregos: Esquilo, Sófocles e Eurípides.

JACQUELINE DE ROMILLY, nascida em 1913, é membro da Academia Francesa, da Academia das Inscrições e Belas Artes de França, e professora na Universidade de Paris. Especialista em assuntos sobre a Grécia Antiga, tem vários trabalhos publicados sobre esta matéria.

As Bacantes

Eurípides

180px-Euripides_Statue As Bacantes eram as sacerdotisas que, na Grécia Antiga, celebravam os mistérios do Deus Baco, ou Diónisos. Esta tragédia, sobre a morte de Penteu, rei de Tebas, dilacerado pelas bacantes, por ter-se oposto à introdução do culto de Diónisos, além do valor que tem como peça representativa da obra do autor, é um documento soberbo acerca da religião dionisíaca e a experiência psíquica que ela comporta e, como tal, uma exploração em profundidade da psicologia humana, quando sujeita a forças para além da razão.

EURÍPIDES foi o último (Salamina, 480 – Macedónia, 406 a.C.) dos três grandes poetas trágicos da Grécia (os outros são Sófocles e Ésquilo). Existem dele numerosas peças, entre as quais Ifigénia em Áulis, Electra, Alceste, Hipólito Coroado, As Troianas, As Bacantes, Andrómaca, Íon, Medeia, etc. Eurípides foi o responsável pela introdução de várias inovações na tragédia grega: ênfase na análise psicológica, preocupações científicas e filosóficas, coros independentes da acção, introdução de personagens do povo.

As Rãs

Aristófanes

aristofanes A comédia As Rãs constitui talvez a mais alta prova do génio de Aristófanes, que nela tem, simultaneamente, a sua última e grande manifestação. E o público que em 405 a. C. atribui o primeiro prémio à peça e a quis ver de novo representada, merece também a nossa simpatia. Não ignoramos, com efeito, que esse público era verdadeiramente popular e que nele estavam representadas todas as camadas sociais.

ARISTÓFANES, autor cómico ateniense (445-386 a.C.), foi o mais representativo da comédia antiga. Das suas peças, as onze que chegaram até aos nossos dias constituem variações satíricas sobre temas de grande actualidade.

Fedra

Sêneca

Sêneca O tema da mulher casada que se enamora de um jovem e que, ao ser rejeitada, o acusa falsamente ao marido, é frequente nas lendas e na literatura. Séneca trata-o nesta Fedra, em que Hipólito é o enteado que rejeita a madrasta; Teseu o marido irado que toma conhecimento da morte do filho, fugitivo e inocente; e Fedra a prevaricadora que vê na morte o único alívio do amor perverso.

SÉNECA (Lucius Annaeus Seneca), homem político, filósofo e escritor romano nasceu em Corduba (Córdova) aproximadamente em 4 a.C. e faleceu em 65 d.C.. Fez os seus estudos em Roma sob a direcção de um mestre pitagórico e de um outro estóico. Exerceu durante algum tempo a profissão de advogado mas tornou-se rapidamente homem de letras e cortesão. Era já célebre quando cai em desgraça junto da imperatriz Messalina, primeira esposa de Cláudio. Esteve exilado durante 8 anos, na Córsega, tendo sido chamado à corte de Claúdio em 49 pela segunda esposa deste, Agripina, que lhe confiou a educação do seu filho Nero. No entanto, anos mais tarde, Séneca volta a cair em desgraça e, implicado na conjuração de Pison, morreu cortando as suas próprias veias por ordem de Nero.

quarta-feira, 13 de maio de 2009

Boal manda carta ao ITI

iTi Eu sei que o Dia Mundial do Teatro (27/03) já passou, mas como o diretor e dramaturgo Erlon Paschoal mencionou uma carta de Boal à Unesco, decidi procurá-la e fui parar no ITI (Institut International du Théâtre) e lá descobri a encontrei.

Antes demais nada, vamos ao motivo da carta. Como é costume, desde que foi instaurado o Dia Mundial do Teatro, artistas do mundo todo enviam cartas ao Institut. Tornou-se um costume. Então, Augusto Boal não podia ficar de fora desta. Segue abaixo sua correspondência:

Dia Mundial de Teatro - 27 Março, 2009

Augusto Boal

boal Todas as sociedades humanas são espetaculares no seu cotidiano, e produzem espetáculos em momentos especiais. São espetaculares como forma de organização social, e produzem espetáculos como este que vocês vieram ver.

Mesmo quando inconscientes, as relações humanas são estruturadas em forma teatral: o uso do espaço, a linguagem do corpo, a escolha das palavras e a modulação das vozes, o confronto de idéias e paixões, tudo que fazemos no palco fazemos sempre em nossas vidas: nós somos teatro!

Não só casamentos e funerais são espetáculos, mas também os rituais cotidianos que, por sua familiaridade, não nos chegam à consciência. Não só pompas, mas também o café da manhã e os bons-dias, tímidos namoros e grandes conflitos passionais, uma sessão do Senado ou uma reunião diplomática – tudo é teatro.

Uma das principais funções da nossa arte é tornar conscientes esses espetáculos da vida diária onde os atores são os próprios espectadores, o palco é a platéia e a platéia, palco. Somos todos artistas: fazendo teatro, aprendemos a ver aquilo que nos salta aos olhos, mas que somos incapazes de ver tão habituados estamos apenas a olhar. O que nos é familiar torna-se invisível: fazer teatro, ao contrário, ilumina o palco da nossa vida cotidiana.

Em Setembro do ano passado fomos surpreendidos por uma revelação teatral: nós, que pensávamos viver em um mundo seguro apesar das guerras, genocídios, hecatombes e torturas que aconteciam, sim, mas longe de nós em países distantes e selvagens, nós vivíamos seguros com nosso dinheiro guardado em um banco respeitável ou nas mãos de um honesto corretor da Bolsa - nós fomos informados de que esse dinheiro não existia, era virtual, feia ficção de alguns economistas que não eram ficção, nem eram seguros, nem respeitáveis. Tudo não passava de mau teatro com triste enredo, onde poucos ganhavam muito e muitos perdiam tudo. Políticos dos países ricos fecharam-se em reuniões secretas e de lá saíram com soluções mágicas. Nós, vítimas de suas decisões, continuamos espectadores sentados na última fila das galerias.

Vinte anos atrás, eu dirigi Fedra de Racine, no Rio de Janeiro. O cenário era pobre; no chão, peles de vaca; em volta, bambus. Antes de começar o espetáculo, eu dizia aos meus atores: - “Agora acabou a ficção que fazemos no dia-a-dia. Quando cruzarem esses bambus, lá no palco, nenhum de vocês tem o direito de mentir. Teatro é a Verdade Escondida”.

Vendo o mundo além das aparências, vemos opressores e oprimidos em todas as sociedades, etnias, gêneros, classes e castas, vemos o mundo injusto e cruel. Temos a obrigação de inventar outro mundo porque sabemos que outro mundo é possível. Mas cabe a nós construí-lo com nossas mãos entrando em cena, no palco e na vida.

Assistam ao espetáculo que vai começar; depois, em suas casas com seus amigos, façam suas peças vocês mesmos e vejam o que jamais puderam ver: aquilo que salta aos olhos. Teatro não pode ser apenas um evento - é forma de vida!

Atores somos todos nós, e cidadão não é aquele que vive em sociedade: é aquele que a transforma!

Augusto Boal