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terça-feira, 6 de julho de 2010

Trinta mil pessoas no cárcere

saulo-ribeiro Estou longe de desenvolver texto tão bem escrito, por isso estou tomando a liberdade de postar esta matéria enviada a mim pelo dramaturgo, historiador e proprietário do blog homônimo e do Classificados da Ilha (agora conhecido como Ponto Morto), Saulo Ribeiro. Ele enviou este texto hoje (06/07/2010) e achei mais do que devido postá-lo aqui, pois Saulo enriquece os palcos capixabas com trabalhos nos quais desenvolve em conjunto com outros, como o próprio Vinicius Piedade e Nieve Matos. Vale a pena ler, para termos consciência que o Espírito Santo cresce além dos nossos palcos, conquistando, seja textualmente ou com atores, para todos os cantos deste Brasil. Parabéns Saulo! Parabéns Vinícius!

Trinta mil pessoas no cárcere

por Saulo Ribeiro

cartaz-CARCERE Há muitos capixabas em Rondônia. E somos famosos por lá pela pontaria certeira. Bons pistoleiros, enfim. Mas Rondônia para mim significa algo diferente (muito embora Artaud tenha dito que o teatro tem que ter tudo que está no crime para voltar a ser necessário).

Rolim de Moura, sétima maior cidade do estado nortista, população estimada em 60 mil habitantes, marca minha carreira de dramaturgo. É que refazendo contas e pesquisas chegamos à conclusão que hoje, às 20h, o espetáculo Cárcere, texto de minha lavra com coautoria, direção e atuação de Vinícius Piedade está completando (pois que é apresentado enquanto digito) sua apresentação de número 150. São 150 vezes em que o ator encena as agruras dos cárceres (todos eles) e suas fugas para aproximadamente 30 mil pessoas de quase todas as regiões do país.

A peça estreou em fevereiro de 2008 no Centro Cultural São Paulo dentro do Projeto H.E.R.O.I.S, contando também com peça escrita pela capixaba Aline Yasmin (Indizível). 

Depois o solo cênico passou a circular pelo país, sendo apresentado no Espírito Santo oito vezes.

Europa

Bater grade Em agosto começará a tourné na Europa, passando por Suíça, Alemanha e Portugal. Na Suíça e Alemanha a peça busca atingir brasileiros que moram em Berna, Lausanne, Zurique e Munique. Em Munique, Vinícius Piedade começará também a montagem de um novo texto meu, Elanka, com atuação de Telma Vieira. A previsão é que esta nova peça estreie em novembro, nesta cidade alemã, vindo depois cumprir temporada no Brasil.

Tourné norte continua

A tourné norte de Cárcere segue até a primeira semana de agosto, passando ainda pelas capitais Belém, Pará; e Manaus, Amazonas. Serão ainda sete apresentações no Brasil até começar a circulação na Europa.

Saulo Ribeiro

Escritor e dramaturgo. É autor do romance Ponto Morto (vencedor do Edital de Difusão e Edição da Secult-ES), sendo também um dos vencedores do Premio Ufes de Literatura 2010, na categoria contos. Acaba de finalizar Pardos – Quatro peças de um ato, coletânea de textos teatrais inéditos.

quarta-feira, 20 de janeiro de 2010

Peroás e Caramurus - Uma Saga da Ilha na Praia de Camburi

Recebi este material ontem (18/01/2010), do professor e dramaturgo Saulo Ribeiro. Muitos devem estar cientes que neste verão, tanto Vitória quanto Vila Velha, no Espírito Santo, montaram Tendas Culturais em algumas de suas principais praias. A de Vila Velha fica na Praia da Costa, enquanto a de Vitória fica na Praia de Camburi.

cartaz (2) Na Tenda Cultura da Praia de Camburi, vem acontecendo várias peças teatrais, como o infantil do Grupo Campanelli de Teatro, o espetáculo de rua da Cia. Folgazões, e agora chegou à vez de Peroás e Caramurus - Uma Saga da Ilha.

Este espetáculo, também de rua, vem nos contar um pouco da historia da cidade e sobre duas comunidades rivais, tudo por causa da estátua de São Benedito.

A direção do espetáculo é de Nieve Matos, que ao lado de Saulo Ribeiro, escreveu o roteiro, então nada melhor do que ambos para falar deste trabalho, que estará no dia 22/01/2010, as 19:00, no projeto Vitória Verão – O Agito da Ilha, alegrando àqueles que quiserem conhecer mais um pouco de nossa história, relatada através da arte cênica. Com vocês, agora Saulo Ribeiro e Nieve Matos. A todos, um bom espetáculo!

Peroás e Caramurus – Uma saga da Ilha

“O dia 28 de dezembro de 1832, festa de São Benedito, amanheceu chuvoso. A Irmandade do Santo padroeiro dos negros havia difundido grande devoção no povo capixaba. São Benedito era venerado no altar-mor da Capela da Ordem Terceira de São Francisco. Era guardião Frei Manoel de Santa Úrsula. A Fé remove montanhas; por isso, a Irmandade não temia tempo ameaçador. Mas Frei Santa Úrsula determinara que a procissão não se fizesse. Temperamental, gostava de ser obedecido. A Mesa da Confraria estava, porém, disposta ao sacrifício da intempérie para homenagear o padroeiro milagroso e querido. Ponderou a Frei Guardião. Discutiram, exaltaram-se. Frei Santa Úrsula, irredutível e prepotente, em meio aos protestos, mandou que os escravos do Convento atirassem pela janela à fora os castiçais e tochas da Irmandade. Estava terminada a festa, começara a luta.”

Serafim Derenze in Biografia de uma ilha

IMG_3809 Um fato real acorrido no Centro de Vitória. Um grupo de teatrólogos. E o desejo de difundir a cultura “fofocando” história pelas ruas de Vitória. Assim nasce este projeto de montagem e apresentações.

De autoria dos dramaturgos capixabas Saulo Ribeiro e Nieve Matos, o texto “Peroás e Caramurus – Uma saga da Ilha” conta sobre como surgiram às irmandades de “São Benedito do Rosário”, vulgo Peroás; e “São Benedito do Convento de São Francisco”, os Caramurus.

Sinopse da história:

IMG_3993 No século XIX, existia no centro de Vitória a “Irmandade Religiosa de São Benedito”, sediada no Convento de São Francisco. Nos festejos de fim de ano sempre saía pelas ruas da cidade à procissão de São Benedito, contando com numeroso público. Um dia, por causa de uma forte chuva, a procissão não saiu. Os irmãos ficaram revoltados e discutiram com o Frei que não havia autorizado a saída do santo que, por sua vez, os expulsou do Convento.

Indignados, os irmãos foram pedir abrigo na Igreja de Nossa Senhora do Rosário dos Homens Pretos, e ao perceberem que a imagem poderia não sair no próximo festejo, decidiram “furtar” São Benedito.

Com o furto da imagem surgiu a “Irmandade de São Benedito do Rosário”, nascendo também uma curiosa rixa com a irmandade que permaneceu no Convento, briga que perdurou até o início do século XX.

IMG_3825A irmandade do Convento de São Francisco adotou a cor verde e foi apelidada por sua adversária de Caramuru, um peixe parecido com cobra e muito agressivo. Os fieis do Convento, agora Caramurus, também deram um apelido para os da igreja do Rosário: Peroás. O motivo de tal apelido é que este era um peixe comum na época e de pouco valor comercial, tanto que era devolvido ao mar pelos pescadores.

A rivalidade era tão intensa que eles chegavam a usar a cor da irmandade rival nos seus calçados, simbolizando o gesto de pisar no oponente.

O fazer teatral

Na saga do processo de criação cênica, entramos no mar da ludicidade. Decodificamos a história real, amplificamos as ações dos atores, pensamos música enquanto partitura corporal, figurino como expansão do corpo.

Jogamos nossa rede no mar das praças de Vitória. E no arrastão da cena teatral pescamos mais que peroás e caramurus; pescamos o realismo fantástico e a estética barroca, a polifonia das vozes e dos instrumentos não-convencionais, a resignificação do espaço e dos objetos de cena, o dramático e o distanciamento atoral.

FICHA TÉCNICA

Direção: Nieve Matos

Dramaturgia: Nieve Matos e Saulo Ribeiro

Elenco: Cleverson Guerrera, Fabrícia Dias, Luíza Vitório, Nícolas Corres Lopes, Vanessa Biffon, Roberta Portela, Max Goldner e Josué Fernandes

Figurino: Antonio Apolinário

Concepção de Maquiagem: Nícolas Corres Lopes

Execução de Figurino: Ateliê Luz Divina

Assistente de Figurino: Fabrícia Dias

Direção de Produção: Saulo Ribeiro

Trilha Sonora: Edvan Freitas

Preparação Corporal: Cleverson Guerrera

Projeto Gráfico: Anaise Perrone

Fotografias: Ariny Bianchi

“Peroás e Caramurus” por Nieve Matos:

SOBRE O QUE FALA O ESPETÁCULO?

O espetáculo foi criado a partir de um fato real acontecido no século XIX no centro de Vitória. Depois do furto de São Benedito, que foi levado do Convento de São Francisco para a Igreja do Rosário surgiram duas irmandades religiosas rivais conhecidas como Peroás e Caramurus.

COMO FOI CRIADO O TEXTO?

A dramaturgia é  minha e do Saulo Ribeiro. Mas trabalhamos também com a dramaturgia em processo de criação, tem o dedo dos atores nos diálogos e na criação das personagens. Um fato curioso foi que depois de improvisar muito e definir os personagens descobrimos que algumas personas “inventamos” existiram realmente. Inclusive com os mesmos nomes que criamos, por exemplo, a Dona Maria Saraiva que era doceira.

O TEATRO DE RUA TEM UMA LINGUAGEM MUITO PRÓPRIA, COMO A DIREÇÃO TRABALHOU ESSA LINGUAGEM?

Apesar de o tema ser popular, buscamos fugir dos clichês da linguagem de rua. Na música usamos instrumentos não-convencionais, já no figurino abusamos da ludicidade, trabalhamos as sugestões das formas ao invés do figurino próximo do realista.  Já no trabalho com os atores trabalhamos a ação dramática em contra ponto com a distanciada.

sexta-feira, 4 de dezembro de 2009

“Peroás e Caramurus, Uma Saga da Ilha”

cartaz Sinceramente, minha expectativa para este trabalho é grande. Isso porque já vim a conhecer o trabalho em conjunto do casal Nieve Matos e Saulo Ribeiro, que respondem pelo roteiro deste espetáculo cênico que começará a circular a partir do dia 18 de dezembro de 2009 (sexta-feira).

Já na estréia a peça “Peroás e Caramurus, Uma Saga da Ilha”, que foi agraciada no ano passado com a Lei de Incentivo Cultural “Rubem Braga”, terá duas apresentações. A primeira será na Praça da Avenida Beira Mar, em São Pedro I, as 08:00, e a segunda acontecerá na Praça Regina Frigeri Furno, em Jardim da Penha, ambas situadas em Vitória – ES. Mas o espetáculo não para por aí, pois estará percorrendo as praças da capital até o dia 22 de dezembro de 2009 (terça-feira), encerrando com duas apresentações, também. Neste dia começará as 10:00, na Praça Costa Pereira, e depois se apresentará as 14:00, na Praça Getúlio Vargas, ambas localizadas no Centro de Vitória – ES.

A direção da peça é da própria Nieve Matos. Abaixo eu posto o material enviado a mim pelo dramaturgo e historiador Saulo Ribeiro. Eu com certeza estarei na apresentação em Jardim da Penha, e vocês?

(Valeu pelo material, Saulo!)

Peroás e Caramurus - Uma saga da Ilha estréia no dia 18 de dezembro, com duas apresentações:

8h00 - Praça da Avenida Beira Mar – São Pedro I

20h30 - Praça Regina Frigeri Furno – Jardim da Penha

E segue em circulação por outros bairros de Vitória nos dias e locais abaixo:

19/12 –

18h00 - Praça da Prainha – Santo Antônio

20h30 - Praça da Igreja Católica – Jardim Camburi

20/12 –

10h00 - Parque Moscoso – Centro

14h00 - Parque Moscoso – Centro

21/12 –

10h00 - Praça Costa Pereira – Centro

18h00 - Praça Ubaldo Ramalhete – Centro

22/12 –

10h - Praça Costa Pereira – Centro

14h - Praça Getúlio Vargas – Centro

De autoria dos dramaturgos capixabas Saulo Ribeiro e Nieve Matos, com direção de Nieve Matos, Peroás e Caramurus – Uma saga da Ilha conta sobre como surgiram as irmandades de “São Benedito do Rosário”, vulgo Peroás; e “São Benedito do Convento de São Francisco”, os Caramurus. Com uma estética trazida do realismo fantástico, a peça tem objetivo de aproximar história e arte do público sem abandonar o entretenimento e diversão.
NÃO PERCA!
Ficha Técnica

Direção: Nieve Matos

Dramaturgia: Nieve Matos e Saulo Ribeiro

Elenco: Cleverson Guerrera, Fabrícia Dias, Luíza Vitório, Nícolas Corres Lopes, Vanessa Biffon, Roberta Portela, Max Goldner, Josué Fernandes

Figurino: Antônio Apolinário

Execução de Figurino: Ateliê Luz Divina

Assistente de figurino: Fabrícia Dias

Direção de Produção: Saulo Ribeiro

Trilha Sonora: Edvan Freitas

Preparação Corporal: Cleverson Guerrera

Projeto Gráfico: Anaise Perrone

A diretora Nieve Matos está concorrendo ao Prêmio Omelete Marginal de Revelação do Teatro. A premiação acontecerá no dia 15 de dezembro de 2009 (terça-feira).

segunda-feira, 2 de novembro de 2009

“Boulevard, 83” no Teatro Galpão

boulevard 83 - Galpão Tá, eu peguei pesado com o musical durante a 5ª Edição do Festival Nacional de Teatro “Cidade de Vitória”, mas convenhamos, a peça é um fenômeno. Os atores cantam, sem dublagens, com música acompanhada de perto pelo músico e compositor Elenísio Rodrigues, “Boulevard, 83” tem tudo para ser a melhor peça do ano de 2009 no Espírito Santo, ainda mais com suas indicações ao Prêmio Omelete Marginal. Foram 5 (melhor peça teatral, melhor diretor e ator de teatro – Leandro Bacellar, Melhor atriz de teatro – Nívia Carla e Revelação do teatro – Allan Toni).

A história do musical é simples: A Casa de Shows, Boulevard, localizada no número 83, em New Paris City (cidade ficticia) está para fechar devido as dívidas que François, marido de Joe Jocker, deixou antes de morrer. A hipoteca foi arrendada por um gangster, que pretende transformar a casa e expulsar todos de lá, então Zac, um dos integrantes, tem a ideia de montar um espetáculo em tempo recorde, para que arrecadem o dinheiro e possam recuperar a Casa. Então eis que surge Marrie, uma jovem misteriosa que vem da Califórnia, junto com a “prima”, para fazer parte do grupo… Não posso contar mais, senão estrago a história.

A peça tem ótimo momentos cantados, principalmente quando a “cantriz” Nívia Carla está em seu solo (pena que o solo não é totalmente um solo. Senti falta disso!) ou acompanhada da atriz Luciene Camargo (as duas dão um show!). As atuações são medianas, com momentos bons entre os atores Leandro Bacellar, Allan Toni, Luana Eva, Diego Carneiro e Danielle Pansini. Os curingas (obrigado por essa Saulo Ribeiro), interpretados pelos atores Stace Mayka e Werlesson Grassi, não comprometem em nada, sendo até bem vindos para arrumar e desfazer o palco, quando necessário. Sinceramente, é um bom espetáculo que entra em temporada no Teatro Galpão no próximo sábado (07/11/2009), as 20:00, e vai até o último domingo (29/11/2009) do mês, as 19:00, sempre nestes horários, com valor mais popular de R$ 14,00 (inteira) e R$ 7,00 (meia).

Agora lhes deixo com o professor e dramaturgo Saulo Ribeiro e suas palavras sobre o espetáculo “Boulevard, 83” (valeu – novamente –, Saulo!):

New Paris City é uma festa

Assisti Boulevard 83, musical do Grupo Teatro Empório, num domingo de chuva fina e indecisa. Apesar disso o Teatro do Sesi estava lotado. Hoje, outro domingo, desta vez de chuva decidida e grossa, resolvi escrever a respeito.

Antes de tudo um adentro: detesto musicais. Considerando o nome do espetáculo e a sinopse jamais veria. Mas tinha o dedo do Empório. Fui. Saí de lá com uma grande exceção ao primeiro dito: adorei.

Tudo começa quando um cabaré mergulhado em dívidas ameaça fechar. Sua trupe de artistas se mobiliza em um último show em que apostam todas as fichas para arrecadar dinheiro e salvar o lugar, capitaneados pelo malandro pós-decadentista Zac Hemingwai. O Boulevard 83, nome da casa, de acordo com o que nos diz a encenação, é o único lugar onde não há prostituição em todas os cabarés de New Paris City. Nisso, perdão, não me convenceram. Mas, por outra, faz parte do show, de uma época em que as primas disfarçavam sua meretrice nas artes. Hoje, pena, todas são todas eternas universitárias. Reside aí uma sutil ironia da encenação, mente-se tão bem que isto se torna um dos sustentáculos do espetáculo.

O musical

Neste ponto, o da ingenuidade dos personagens num mundo tão torpe e cheio de mafiosos e gangsteres, o musical se filia ao modelo leve e despretensioso de algumas produções da Broadway (não todas, frise-se), tendo como maior objetivo, pena que com recursos financeiros infinitamente menores, o entretenimento do público numa produção bem cuidada e de qualidade. Apesar da linha ser esta, o experimentalismo com outras estéticas tornam tênue a sua classificação apenas como um musical e enriquecem a encenação. Esta é, em suma, a proposta executada magistralmente pelo grupo.

Dandismos e decandentismo

A peça agrada em cheio nos diálogos estéticos que produz. O universo de prazeres dos personagens, o falar cotidiano vários graus acima do natural, e sua certeza de que os tempos estão perdidos e que só resta o cabaré, e depois dele nada mais fará sentido, tudo isso faz paralelo com certo decadentismo tardio, produto do final século XIX, de qual Paris, um dos cenários inspiradores da produção, foi a receptora e difusora para o mundo.

No cenário e figurinos, um certo olhar sobre o dandismo, também tardio. A mentira como recurso permanente resultando na pureza dos mais desprezíveis homens noturnos. É justamente aí que o discurso antiprostituição desaba. As mulheres da peça, salvo quando cedem a pieguismos intrínsecos a certos tipos de musicais, são aquilo que o poeta Baudelaire defendeu quando disse que a mulher deve parecer mágica e sobrenatural, deve transformar-se em ídolo e colher de todas as artes os meios de elevar-se acima da natureza.

Forma e formato

A encenação é construída sobre um único espaço cênico, modificado de acordo com elementos de cena conduzidos pelos próprios atores ou sob cuidados de dois versáteis mordomos-garçons-coringas que produzem eficiente solução cênica e beleza. A iluminação é perfeita e traduz todo clima deslumbrante de Cabaré quando necessário, respeitando as nuances inerentes à decadência presente.

Sobre a música tenho pouco a dizer, pois sou aquilo que chamam de “analfabeto musical”. Mas sinto harmonia e sintonia com a proposta de direção e concepção visual. A trilha executada ao vivo no piano de Elenísio Rodrigues nos transporta efetivamente para New Paris City, universo construído pelo Empório.

Os atores dão conta do recado, recado dificílimo de se transmitir, aliás. Cantam, dançam e representam de verdade. De verdade mesmo. Daria para citar todos, mas destaco aqui Nívia Carla, no papel de Joe, a dona do cabaré.

Dramaturgia

O texto possui uma certa falha na resolução dos conflitos que ocorrem no segundo ato, fragilizando um pouco o esqueleto dramatúrgico, coisa que em nada prejudica a sua qualidade, pois os diálogos são inteligentíssimos e muito bem posicionados.
Incomoda a grande quantidade de cacos, a peça não precisa deles. Porém, em casa cheia e platéia receptiva permitem-se certos pecados em nome do público.

Fini

À guisa de término do texto, afirmo que Boulevard 83 está entre os melhores trabalhos que estrearam no estado nos últimos anos. A coerência entre o proposto e o realizado resultam num trabalho sério e de muita qualidade, merecedor de longa temporada e grandes platéias. O elenco do Empório consolida-se como exemplo da maturidade e gênio de uma nova geração no teatro capixaba.

Mais:

Elenco: Allan Toni, Dayanne Lopes, Danielle Pansini, Diego Carneiro, Leandro Bacellar, Luana Eva, Luciene Camargo, Ludmila
Porto, Marcos Luppi, Nívia Carla, Stace Mayka e Werlesson
Grassi.

Dramaturgia, encenação e espaço cênico : Leandro Bacellar

Direção musical e composição: Elenísio Rodrigues

Composições musicais: Elenísio Rodrigues e Leandro Bacellar

Direção de produção: Luana Eva

Direção de arte: Kênia Lyra

Coreografias: Tadeu Schneider

Preparação de canto: Patrick do Val

Iluminação: Thiago Sales - Overlan Marques

Figurino: Samira Alcântara e Luana Eva

Produção fotográfica: Jove Fagundes

Orientador dança de salão: Teresa Loofredo

Pianista: Elenísio Rodrigues

Duração: 120 minutos

Classificação: 16 anos

Datas, horários e local para próximas apresentações: Teatro Galpão, de 07 a 29 de novembro de 2009. Sábados, as 20:00, e domingos, as 19:00.

Os locais e horários desta temporada pode no site do grupo:
http://www.teatroemporio.com

Postado por Saulo Ribeiro em 05/07/2009 às 18:44 no blog Classificados da Ilha.

É isso aí, minha gente. Assistindo ao espetáculo se decidirem por escolhe-los como os melhores de 2009, entrem no site Omelete  Marginal, cadastrem e votem! E bom espetáculo para todos!