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terça-feira, 8 de setembro de 2015

11 DE SETEMBRO - VICTOR JARA, PRESENTE!

4617946_7_cc73_les-obseques-officielles-de-victor-jara-a_6a0a47ff041911ca16d7c76a4f909a2aO Clube Capixaba do Vinil, o Grupo Tarahumaras e a Casa da América Latina no Espírito Santo se reúnem para fazer uma homenagem ao cantor, compositor, homem de teatro e professor chileno, Victor Jara.

Jara, que além de toda essa sua atividade artística e educacional, era um militante de primeira ordem daquele momento de “tenebroso esplendor” que vivia o seu país – e boa parte da América do Sul -, foi preso no dia 11 de setembro (1973), no pacote de agressões do golpe militar que derrubava e assassinava Salvador Allende, o presidente eleito pelo povo chileno.

Menos de cinco dias depois, Victor Jara, depois de cruelmente torturado, foi também assassinado juntamente com milhares de outros chilenos daquela geração que sonhara e lutara para ter o país que queriam, vontade que haviam expressado em democrático processo eleitoral.

Com o apoio da Secretaria de Cultura da Ufes e de importantes entidades representativas de trabalhadores capixabas, é nossa intenção realizar uma manifestação político-cultural que contribua para a compreensão de que a agenda de efemérides históricas sul-americanas pode (e deve) ser comum aos nossos países.

Programação
No Cine Metrópolis:
16:00 - "Nostalgia da luz", de Patrício Guzmán;
18:00 - "No", de Pablo Larraín;
19:30 - Abertura no palco em frente ao Cine Metrópolis, com discotecagem do Clube Capixaba do Vinil;
19:45 - Bate-papo com Wilson Coêlho, Eurico Scaramussa e Alexandre Curtis;
20:30 - Show "Victor Jara, Presente! com o Grupo América 4.

Serviço

jaraVictor Jara Presente

Realização: Clube Capixaba do Vinil, Grupo Tarahumaras e Casa da América Latina – ES

Quando: 11 de setembro 2015 (sexta-feira)

Onde: em frente ao Cine Metrópolis na Ufes

Apoio Cultural: Secretaria de Cultura da Ufes

Patrocínio: Sindicato dos Bancários, Associação de Pessoal da Caixa Econômica Federal, Sindiupes, Sindicato dos Estivadores, Sinpro, Sinttel, Programa Soy Loco por ti

Contatos:
Clube Capixaba do Vinil (Gilson Soares) – 99835.2230/98837.0251 – gilsonsoaresccv@gmail.com
Grupo Tarahumaras (Wilson Coêlho - 99816.7616 – 3082.8509 wilsoncoelho@gmail.com
Casa da América Latina – ES (Fernanda Tardin – 99933.9196 – nandatardin@yahoo.com.br

ENTRADA FRANCA

terça-feira, 10 de agosto de 2010

Espetáculo O CEMITÉRIO DE AUTOMÓVEIS em Cariacica

O Centro Cultural
Frei Civitella di Trento em Cariacica abre as portas para receber o espetáculo "O Cemitério de Automóveis" nos meses de Agosto e Setembro deste ano.
A montagem, parceria entre os Grupos Tarahumaras e Boiacá foi contemplada como o Prêmio Miriam Muniz de Teatro (FUNARTE 2009) e estréia nesta quinta-feira(05/08) em exibição para convidados.
O texto do renomado diretor e dramaturgo Fernando Arrabal é dirigido pelo dramaturgo e diretor capixaba Wilson Coêlho, que nos textos que nos enviou deixa claro o que podemos esperar desta maravilhosa obra agora encenada.


 "Toda obra de arte se pauta por códigos que lhe são próprios. Códigos estes que, apesar de distintos, podem até se dar como uma unidade no sentido da criação (poiesis) e daquilo que lhes confere o status de obra de arte. No caso do teatro, tanto na dramaturgia quanto na pesquisa de montagem e mise-en-scène (apresentação) parece impossível que se realize sem que se enquadre num modelo entendido a partir do conflito e da existência de personagens, sem falar nas estruturas do texto que geralmente se sustentam de ação central, carpintaria, prólogo, desenvolvimento da intriga, crise, clímax, epílogo, etc.

Isto posto, ao dirigir O CEMITÉRIO DE AUTOMÓVEIS, de Fernando Arrabal,  faz-se imprescindível rever alguns conceitos, considerando a linearidade do texto, a inexistência de “personagens” e a ausência do conflito. É uma montagem em que a encenação deve tornar-se invisível para que a peça se manifeste, como um corte na realidade. Daí, o conflito se realiza no fenômeno resultado da relação entre palco e platéia e que, os chamados “personagens”, como peças de um jogo de xadrez, não passam de elementos definidos numa rede de significações construídas no cotidiano. Assim, o cenário cede lugar ao espaço, levando em conta que as situações têm uma existência anterior ou paralela, na realidade (sem ser realista), onde os atos humanos se dão como uma contingência. Resta desenvolver uma habilidade no jogo que se estabelece entre os atores em cena e os espectadores".

(WilsonCoêlho) 

 

O CEMITÉRIO DE AUTOMÓVEIS

O cemitério de automóveis  vem a ser uma versão muito peculiar da vida e paixão de Cristo, a quem dará o nome de Emanú (com a supressão do sufixo “el”, que em hebreu significa Deus, o autor expressa sua opção exclusiva pelo humano). A ação tem lugar num espaço cênico enormemente sugestivo cuja decoração espetacular Arrabal introduz no teatro as tendências materiais das artes plásticas. O mundo vem configurado por um subúrbio de barracos e miséria, de luzes e sombras, representado por um amontoamento em diversos níveis de carros queimados. Com a chegada de Emanú, que pretende, junto com Foder (Pedro) e Tope (Judas) alegrar a vida dos pobres do cemitério, as relações se transtornam. O trio de instrumentistas de jazz, encabeçado por Emanú, que toca a trompete, aparece como um elemento perturbador.

FICHA TÉCNICA
Autor............................................................Fernando Arrabal
Tradução.................................................................Wilson Coêlho
Direção/Encenação...........Nysio Chrysostomo e Wilson Coêlho
Direção musical........................................................Fraga Ferri
Figurinos.......................................................Gilbert Chaudanne
Produção Visual.................................................Berenice Pahins
Produção Executiva.........................................Marcos de Castro
 

ELENCO
Berenice Pahins........................................Lasca (atleta e policial)
Fernanda Picoli....................................................................Dila
Fraga Ferri........................................................................Fóder
Hudson Braga....................................................................Milos
João Vita................................................Tiosido (atleta e policial)
Marcos de Castro................................................................Topé
Ricardo Amaro..................................................................Emanu

ENTRE O LÓGICO E O DESCONHECIDO

Estava em um café de Paris com Beckett quando se aproximou  Susana, sua mulher, com um livro que acabava de chegar da Inglaterra, intitulado Teatro do Absurdo, de Martin Esslin.
Na capa do livro estavam as fotos de Ionesco, Beckett, Adamov e Arrabal. Lembro-me que Beckett, a o vê-lo, sorriu e comentou:  “Teatro do absurdo, que absurdo!” Nenhum de nós era fanático do absurdo nem soldados da razão.
(Fernando Arrabal)
 
Encenar uma obra de Fernando Arrabal, para além do prazer estético, significa empreitada perigosa, considerando que, no processo de pesquisa, muitas das vezes, nos apanhamos numa estrada sinuosa que se desenha num terreno baldio. A estrada é sinuosa pelo fato de se construir no próprio ato da caminhada e o terreno é baldio por ser repleto de obstáculos. Obstáculos estes que se dão como tal na medida em que se desvelam, e também re-velam (velam outra vez), aquilo que momentaneamente supomos ter des-coberto. 
Por um lado, temos a questão histórica em que a guerra civil espanhola perpassa sua espinha dorsal. Ao mesmo tempo, esse Arrabal nasceu no continente africano, em Melilla, que o faz espanhol pelo fato de ser uma colônia de Espanha em Marrocos. Mas ele se exila em Paris, onde produz praticamente a totalidade de sua obra. Nesse sentido, trata-se de um desterrado, um homem que faz do não-lugar (u-topos) o seu lugar.

Levando em conta a sua trajetória, tanto no sentido cultural quanto artístico, sua obra ocupa espaço (e é ocupada a todo momento) nos movimentos dadaísta, surrealista, postista, pânico e, conforme alguns críticos, no absurdo. Desses movimentos, de certa forma, destaca-se o pânico, criado em Paris, na década de 60, por Fernando Arrabal, juntamente com Alejandro Jodorowsky e Roland Topor. Mas isso não vem muito ao caso se levarmos em conta que o pânico (do deus grego Pan, da totalidade, onde se mistura o humor com o terror) se realiza de forma mais contundente em sua obra cinematográfica.
Em Fernando Arrabal não há como confundir autor e obra, ou seja, um e outro são o mesmo. Tampouco se pode rotulá-lo, pois sua obra tem influências das artes plásticas, da patafísica (ciência das soluções imaginárias, conforme Alfred Jarry), sem esquecer o xadrez, a física quântica, as matemáticas, os fractais, etc. 
A linguagem em Fernando Arrabal é a simplicidade, o olhar infantil sobre o mundo, no sentido da ingenuidade, onde a crueldade não diz respeito à moral ou ao imoral. É uma leitura de que o ser humano faz o que faz pela incapacidade de compreender o sentido da existência. 
Eis ai o desafio para que surja um novo ator, que não seja dramático, que não seja cômico, mas que experimente essa estranheza do homem diante do lógico e do desconhecido.
(Wilson Coêlho)

Serviço:
Local: Centro Cultural “Frei Civitella di Trento”
End: Av. Expedito Garcia, 218 – Campo Grande – Cariacica – ES - Brasil
Datas: 05, 06, 07, 08, 14, 15, 21, 22, 28 e 29 de agosto
              04, 05, 11, 12, 18, 19, 25 e 26 de setembro
Horário: 20 horas
Valores: R$ 20,00 (inteira) e R$ 10,00 (meia)
OBS.: O dia 05 (quinta-feira) será a pré-estréia para a imprensa e convidados. Nos demais dias os ingressos custarão 
Informações: (27) 9938.9794